UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Homem, 61 anos, foi vítima de queimadura com álcool na perna há 15 anos. Desde então passou por múltiplos procedimentos de enxerto de pele e retalhos. É hipertenso e diabético insulinodependente. Apresenta uma úlcera na perna esquerda que vem tratando há anos, sem melhora efetiva. Refere piora nos últimos meses. Ao exame físico: BEG / Membros inferiores com pulsos presentes Femoral +4 / Popliteo +4/ Tibiais anteriores e posteriores +4 bilateralmente. Úlcera em região tibial de perna esquerda, medindo 6x5 cm, de odor fétido e bordos mal definidos. Diante desse quadro, a principal hipótese diagnóstica e conduta mais adequada são:
Úlcera crônica em cicatriz de queimadura com piora → suspeitar úlcera de Marjolin (Carcinoma Espinocelular), biópsia é mandatória.
A úlcera de Marjolin é uma malignização de úlceras crônicas, cicatrizes de queimadura ou feridas traumáticas de longa data, sendo o carcinoma espinocelular a histologia mais comum. A piora clínica, odor fétido e bordos mal definidos são sinais de alerta, e a biópsia incisional é essencial para o diagnóstico.
A úlcera de Marjolin é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela malignização de cicatrizes crônicas, úlceras de longa data, fístulas ou áreas de inflamação crônica. É mais comumente associada a cicatrizes de queimaduras, mas também pode surgir em úlceras de pressão, osteomielite crônica e outras lesões. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma espinocelular, embora outros tipos, como o carcinoma basocelular e o melanoma, também possam ocorrer. A importância clínica reside na sua agressividade e potencial metastático, muitas vezes subestimado. A fisiopatologia da úlcera de Marjolin não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a inflamação crônica e a irritação constante na área da cicatriz levem a alterações genéticas e proliferação celular desregulada. O período de latência entre a lesão inicial e o desenvolvimento da malignidade pode variar de anos a décadas. O diagnóstico é desafiador, pois os sinais e sintomas iniciais podem ser inespecíficos e confundidos com a própria úlcera crônica. No entanto, qualquer mudança no padrão de uma úlcera crônica, como aumento de tamanho, dor, sangramento, odor fétido ou bordos endurecidos e evertidos, deve levantar a suspeita. Diante da suspeita de úlcera de Marjolin, a conduta mais adequada é a realização de uma biópsia incisional da lesão, incluindo margens e profundidade, para confirmação histopatológica. O tratamento definitivo é cirúrgico, com ressecção ampla da lesão e margens de segurança adequadas, podendo ser complementado com radioterapia ou quimioterapia, dependendo do estadiamento e da presença de metástases. O prognóstico está diretamente relacionado ao diagnóstico precoce e à extensão da doença no momento do tratamento.
A úlcera de Marjolin é uma neoplasia maligna que surge em cicatrizes crônicas, úlceras de longa duração, fístulas ou áreas de inflamação crônica, sendo mais frequentemente um carcinoma espinocelular. Sua principal característica é o desenvolvimento em tecidos previamente lesados e cronicamente inflamados.
Sinais clínicos sugestivos incluem aumento rápido da lesão, dor persistente, sangramento fácil, odor fétido, bordos elevados e evertidos, e ausência de cicatrização apesar do tratamento adequado. A história de lesão crônica por muitos anos é um fator chave.
A biópsia incisional é fundamental porque a úlcera de Marjolin é um diagnóstico histopatológico. Ela permite confirmar a presença de carcinoma espinocelular, determinar o grau de diferenciação e avaliar a profundidade da invasão, informações cruciais para o planejamento terapêutico e prognóstico.
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