Úlcera de Marjolin: Degeneração Maligna de Feridas Crônicas

Visão Laser - Centro Oftalmológico (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente queimado, em 50º dia de internação em leito de terapia intensiva em centro de queimados, apresentando lesão ulcerada em calcâneo direito, grande, com aspecto necrótico em algumas áreas, sem melhora com as terapias tópicas prescritas. Em um desbridamento foi realizado exame histopatológico que evidenciou carcinoma espinocelular. Assinale a alternativa que descreve a típica degeneração maligna de feridas crônicas não cicatrizadas.

Alternativas

  1. A) Úlcera de Cushing.
  2. B)  Úlcera de Curling.
  3. C)  Úlcera de Marjolin.
  4. D) Úlcera de Jhonson.

Pérola Clínica

Úlcera de Marjolin = degeneração maligna (geralmente CEC) em ferida crônica/cicatriz.

Resumo-Chave

A Úlcera de Marjolin é a degeneração maligna de uma ferida crônica, cicatriz (especialmente de queimaduras), úlcera de pressão ou osteomielite, mais comumente evoluindo para carcinoma espinocelular. É uma complicação tardia e grave que exige biópsia em lesões suspeitas.

Contexto Educacional

A Úlcera de Marjolin é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela degeneração maligna de feridas crônicas, cicatrizes (especialmente de queimaduras), úlceras de pressão ou fístulas. Descrita pela primeira vez por Jean-Nicolas Marjolin em 1828, ela representa uma complicação tardia e insidiosa de lesões que persistem por anos ou décadas sem cicatrização completa. A importância clínica reside na necessidade de alta suspeição em pacientes com histórico de feridas crônicas. A fisiopatologia exata da Úlcera de Marjolin não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a inflamação crônica e a irritação constante na área da ferida levem a alterações celulares e genéticas que promovem a transformação maligna. O tipo histológico mais comum é o carcinoma espinocelular (CEC), que tende a ser mais agressivo e com maior potencial metastático quando surge nesse contexto. O diagnóstico é estabelecido por biópsia da lesão, sendo crucial em qualquer ferida crônica que apresente mudanças no aspecto, crescimento, dor ou sangramento. O tratamento da Úlcera de Marjolin é predominantemente cirúrgico, com ressecção ampla da lesão e margens de segurança adequadas, muitas vezes exigindo reconstrução complexa. O prognóstico depende do estágio da doença no diagnóstico, com metástases linfonodais sendo um fator de mau prognóstico. A prevenção envolve o manejo adequado de feridas crônicas e a vigilância contínua de cicatrizes antigas, com biópsia de qualquer área suspeita.

Perguntas Frequentes

Quais tipos de feridas crônicas podem evoluir para Úlcera de Marjolin?

Úlceras de Marjolin podem surgir em cicatrizes de queimaduras, úlceras de pressão, osteomielites crônicas, fístulas e outras feridas crônicas que não cicatrizam por longos períodos.

Qual o tipo histológico mais comum na Úlcera de Marjolin?

O tipo histológico mais comum de malignidade na Úlcera de Marjolin é o carcinoma espinocelular (CEC), embora o carcinoma basocelular e o melanoma também possam ocorrer.

Como é feito o diagnóstico da Úlcera de Marjolin?

O diagnóstico definitivo da Úlcera de Marjolin é feito por biópsia da lesão, que deve ser realizada em qualquer ferida crônica com alterações suspeitas, como crescimento rápido, dor, sangramento ou bordas elevadas.

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