UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Homem-branco, 65 anos, trabalhador rural dos 15 aos 55 anos, que apresentava cicatriz larga, retrátil, do cotovelo ao dorso da mão direita, devido acidente com fogo na infância. Foi consultar na Unidade Básica de Saúde devido ao aparecimento de pápula ceratótica amarelada que evoluiu gradativamente em seis meses para lesão de borda elevada, base infiltrada e área central ulcero vegetante sangrante, na região da cicatriz do antebraço direito. Em relação ao quadro descrito acima, assinale a alternativa correta:
Lesão vegetante ou ulcerada em cicatriz antiga de queimadura = Úlcera de Marjolin (CEC).
A Úlcera de Marjolin refere-se à transformação maligna, mais comumente em carcinoma espinocelular (CEC), de cicatrizes crônicas, úlceras de pressão ou feridas que não cicatrizam.
A patogênese da Úlcera de Marjolin envolve a irritação crônica e a regeneração celular contínua em tecidos com vascularização linfática comprometida, o que predispõe a mutações genéticas. Embora o carcinoma espinocelular seja o tipo histológico em cerca de 75-90% dos casos, carcinomas basocelulares e melanomas também podem ocorrer. Clinicamente, o período de latência médio é de 30 anos, mas pode ser menor em pacientes imunossuprimidos. A agressividade biológica dessas lesões é maior do que a dos CECs induzidos por radiação solar, com taxas de metástase significativamente mais elevadas. O reconhecimento precoce por médicos generalistas e dermatologistas é vital para o prognóstico do paciente.
A Úlcera de Marjolin é o termo utilizado para descrever o surgimento de um carcinoma (geralmente o carcinoma espinocelular - CEC) sobre uma área de cicatriz crônica, úlcera de estase, fístula ou, classicamente, cicatrizes de queimaduras antigas. É uma forma agressiva de câncer de pele que ocorre após um longo período de latência entre a lesão inicial e a malignização.
Os principais sinais incluem o aparecimento de uma nova úlcera que não cicatriza, crescimento de tecido vegetante ou exofítico, sangramento fácil, dor persistente na cicatriz e bordas elevadas ou infiltradas. Qualquer alteração em uma cicatriz estável há anos deve ser encarada com suspeita clínica elevada para neoplasia.
O diagnóstico é confirmado através de biópsia incisional da área suspeita, preferencialmente das bordas da lesão. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica com margens amplas. Devido à natureza agressiva e ao risco de metástases linfonodais, o acompanhamento rigoroso é necessário, e em alguns casos, a linfadenectomia ou radioterapia podem ser indicadas.
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