AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2020
Homem, 60 anos, tem cicatriz de queimadura ocorrida há 25 anos em fossa poplítea de perna esquerda. Há seis meses notou uma ulceração no local de 5 cms de diâmetro, que não cicatriza. Indique, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento:
Úlcera crônica em cicatriz de queimadura antiga → Úlcera de Marjolin (carcinoma espinocelular).
A Úlcera de Marjolin é uma transformação maligna, geralmente carcinoma espinocelular, que ocorre em cicatrizes de queimaduras antigas, úlceras crônicas ou outras lesões cutâneas de longa data. A suspeita deve ser alta em lesões que não cicatrizam e o tratamento é a excisão cirúrgica.
A Úlcera de Marjolin é uma forma rara, mas agressiva, de carcinoma espinocelular que se desenvolve em cicatrizes crônicas, especialmente aquelas resultantes de queimaduras, mas também em úlceras de pressão, osteomielite crônica e outras lesões de longa data. Sua importância clínica reside na alta taxa de malignidade e no potencial de metástase, tornando o diagnóstico precoce crucial para o prognóstico do paciente. Geralmente, ocorre após um longo período de latência, que pode variar de décadas. O diagnóstico da Úlcera de Marjolin é suspeitado clinicamente em qualquer lesão ulcerada que não cicatriza em uma cicatriz antiga. A confirmação é feita por biópsia da lesão, que revela a presença de carcinoma espinocelular. É fundamental diferenciar de outras úlceras crônicas benignas, como as de estase, pois a conduta terapêutica é radicalmente diferente. A fisiopatologia envolve a irritação crônica e inflamação na cicatriz, levando à displasia e subsequente transformação maligna. O tratamento de escolha para a Úlcera de Marjolin é a excisão cirúrgica ampla com margens de segurança adequadas, seguida de reconstrução. A avaliação de linfonodos regionais é importante devido ao risco de metástase. O prognóstico depende do tamanho da lesão, profundidade de invasão e presença de metástases. Residentes devem estar atentos a qualquer lesão crônica em cicatrizes antigas, especialmente se houver alterações no padrão de crescimento ou falha na cicatrização, para garantir um diagnóstico e tratamento oportunos.
Os sinais de alerta incluem uma úlcera crônica que não cicatriza, dor, sangramento, bordas elevadas ou vegetantes, e crescimento rápido em uma cicatriz de queimadura antiga ou outra lesão crônica. A biópsia é fundamental para o diagnóstico definitivo.
O tratamento padrão é a excisão cirúrgica ampla da lesão, com margens de segurança adequadas, seguida de reconstrução. Em casos avançados, pode ser necessária linfadenectomia ou radioterapia adjuvante, dependendo da extensão e do estadiamento da doença.
A diferenciação é feita principalmente pela história de lesão prévia (queimadura, trauma crônico) e pela biópsia da lesão, que confirmará a presença de carcinoma espinocelular ou outro tipo de malignidade. A ausência de cicatrização espontânea é um forte indicativo.
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