Úlcera de Lipschütz: Diagnóstico e Manejo em Jovens

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Jovem de 19 anos, que não teve coitarca, tampouco relata contato íntimo com parceria sexual recente, busca atendimento ginecológico porque apresenta úlcera na face interna de pequeno lábio, com lesão semelhante no pequeno lábio contralateral (“úlceras que se beijam”). Ambas as lesões são semelhantes, medindo 1,5 cm cada uma, relativamente profundas, com bordas vermelho-violácea  e fundo recoberto por exsudado acinzentado. A lesão é bastante dolorosa. A paciente afirma que teve por alguns dias antes do quadro febre, mal estar e aftas bucais. Assinale a alternativa CORRETA entre as abaixo relacionadas.

Alternativas

  1. A) Uma possibilidade é a denominada úlcera de Lipschütz, úlcera genital não relacionada com atividade sexual. O diagnóstico é clínico.
  2. B) Impõe-se a suspeita de herpes genital que deve ter sido adquirido por más práticas de higiene. O diagnóstico se faz com sorologia (IgG para HSV)
  3. C) Provavelmente é uma lesão de sífilis tardia por contaminação no momento do parto, com evolução para sífilis terciária. O diagnóstico se fará pela biópsia.
  4. D) Corresponde a cancro mole, aquisição pela exposição a ambiente contaminado. O diagnóstico confirmado por meio de cultura da secreção em meio de Thayer-Martin.

Pérola Clínica

Úlcera de Lipschütz = úlcera genital aguda, dolorosa, não sexual, com pródromos sistêmicos (febre, mal-estar, aftas).

Resumo-Chave

A úlcera de Lipschütz (ou úlcera vulvar aguda) é uma condição rara, mas importante no diagnóstico diferencial de úlceras genitais em pacientes virgens ou sem atividade sexual. Caracteriza-se por lesões dolorosas, frequentemente 'em espelho', precedidas por sintomas sistêmicos, e seu diagnóstico é essencialmente clínico, após exclusão de outras causas.

Contexto Educacional

A úlcera de Lipschütz, também conhecida como úlcera vulvar aguda ou úlcera de Lipschütz-Behçet, é uma condição rara que afeta principalmente adolescentes e mulheres jovens, muitas vezes sem histórico de atividade sexual. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciá-la de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), evitando tratamentos desnecessários e estigma. A epidemiologia é incerta devido à raridade e subdiagnóstico. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que seja uma reação imunológica exagerada a um estímulo infeccioso (viral ou bacteriano) ou inflamatório, manifestando-se como uma vasculite. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de ausência de contato sexual, pródromos sistêmicos (febre, mal-estar, mialgia) e na presença de úlceras genitais dolorosas, frequentemente bilaterais e profundas, que podem ser acompanhadas de aftas bucais. É crucial excluir outras causas de úlceras genitais através de exames laboratoriais. O tratamento é primariamente de suporte, com foco no alívio da dor e na promoção da cicatrização. Isso inclui analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), higiene local e, em casos mais graves, corticosteroides sistêmicos. O prognóstico é geralmente bom, com resolução espontânea das lesões em algumas semanas, mas pode haver recorrências. É fundamental tranquilizar a paciente e seus familiares sobre a natureza não sexual da condição.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da úlcera de Lipschütz?

A úlcera de Lipschütz tipicamente se apresenta como úlceras genitais agudas, dolorosas, profundas, com bordas eritematosas e fundo necrótico ou exsudativo, frequentemente bilaterais ('úlceras que se beijam'). Pode ser precedida por sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e mialgia, e ocasionalmente aftas bucais.

Como diferenciar a úlcera de Lipschütz de outras úlceras genitais?

A diferenciação se baseia na história clínica (ausência de atividade sexual, pródromos sistêmicos), características morfológicas das lesões e exclusão de ISTs (herpes, sífilis, cancro mole) e outras causas como doença de Behçet. O diagnóstico é de exclusão e clínico.

Qual o tratamento para a úlcera de Lipschütz?

O tratamento é de suporte, visando alívio da dor e prevenção de infecção secundária. Inclui analgésicos, anti-inflamatórios, higiene local e, em alguns casos, corticosteroides tópicos ou sistêmicos para reduzir a inflamação. A cicatrização geralmente ocorre espontaneamente em semanas.

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