Úlcera de Lipschutz: Diagnóstico e Associação com EBV

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, 13 anos de idade, previamente hígida, apresentou quadro de odinofagia, febre baixa, edema palpebral superior e fadiga há uma semana, e surgimento de lesão vaginal dolorosa. Não sexualmente ativa. Exame físico: bom estado geral, mucosa oral sem alterações, região genital com duas úlceras de aproximadamente 1,5 cm, com bordas elevadas hiperemiadas, fundo necrótico com exsudato em pequenos lábios em padrão bilateral de "beijo". Hemograma com linfocitose com presença de linfócitos atípicos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado:

Alternativas

  1. A) Lesão por herpes simples.
  2. B) Úlcera de Lipschutz.
  3. C) Sífilis primária.
  4. D) Doença de Behçet. E) Pioderma grangrenoso.

Pérola Clínica

Úlcera genital dolorosa + 'beijo' + pródromo viral em virgem → Úlcera de Lipschutz (EBV).

Resumo-Chave

A úlcera de Lipschutz é uma condição vulvar aguda, não sexualmente transmissível, fortemente associada à infecção primária pelo EBV em adolescentes, apresentando-se como lesões dolorosas e bilaterais.

Contexto Educacional

A Úlcera de Lipschutz representa um desafio diagnóstico na ginecologia infantojuvenil. Sua fisiopatologia exata ainda é discutida, mas acredita-se que seja uma reação de hipersensibilidade mediada por imunocomplexos ou uma manifestação citotóxica direta durante uma infecção viral aguda, principalmente pelo EBV, embora outros agentes como Citomegalovírus e Mycoplasma pneumoniae também tenham sido implicados. O reconhecimento desta entidade evita investigações invasivas e o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis em pacientes virgens. Clinicamente, o quadro se manifesta após um pródromo gripal. A presença de linfócitos atípicos no hemograma é um marcador indireto importante da infecção pelo EBV. O diagnóstico é de exclusão, exigindo a negatividade para Herpes Simples (PCR ou cultura), Sífilis e outras causas de úlceras vulvares, como a Doença de Behçet (que geralmente é recorrente e associada a úlceras orais) e o Pioderma Gangrenoso (que possui evolução mais crônica e destrutiva).

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Úlcera de Lipschutz?

A Úlcera de Lipschutz, ou ulcus vulvae acutum, caracteriza-se pelo surgimento súbito de úlceras genitais dolorosas, geralmente em adolescentes ou mulheres jovens sem histórico de atividade sexual. As lesões costumam ser profundas, com bordas hiperemiadas e fundo necrótico, frequentemente apresentando o padrão de 'lesão em espelho' ou 'em beijo' nos pequenos lábios. É comum haver um pródromo de febre, mal-estar e odinofagia, sugerindo uma etiologia viral sistêmica, sendo o vírus Epstein-Barr (EBV) o agente mais frequentemente associado.

Como diferenciar a Úlcera de Lipschutz de ISTs?

A diferenciação baseia-se na anamnese (ausência de atividade sexual), na presença de sintomas sistêmicos (como os da mononucleose) e nos achados laboratoriais. Diferente do Herpes Simples, as úlceras de Lipschutz são maiores, mais profundas e não apresentam as vesículas agrupadas características. Diferente da sífilis, são extremamente dolorosas. O hemograma frequentemente revela linfocitose com atipia linfocitária, reforçando a hipótese de infecção por EBV, e a sorologia para ISTs resulta negativa.

Qual é o tratamento recomendado para a Úlcera de Lipschutz?

O tratamento é eminentemente sintomático e de suporte, uma vez que a condição é autolimitada e não infecciosa por via sexual. Recomenda-se o uso de analgésicos sistêmicos, anestésicos tópicos (como lidocaína gel) e cuidados locais de higiene para prevenir infecções secundárias. Em casos de dor intensa ou edema importante, corticosteroides tópicos ou sistêmicos podem ser utilizados para reduzir o processo inflamatório. A cicatrização ocorre geralmente em 2 a 4 semanas sem deixar cicatrizes permanentes.

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