Úlcera Genital: Diagnóstico Diferencial e Tratamento Empírico

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, de 25 anos, veio à UBS com queixa de lesão ulcerada no pênis, surgida há cerca de 1 semana, levemente dolorosa e com discreta secreção. Referiu ser este o primeiro episódio. Era sexualmente ativo, não tinha parceira(o) fixo(a) nem fazia uso de preservativos em todas as relações. Negou outros sintomas. A UBS não dispunha de microscopia. O médico recomendou ao paciente comunicar-se com seus contatos e solicitou-lhe sorologias. Qual(is) o(s) diagnóstico(s) mais provável(eis) e a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Donovanose – Prescrever azitromicina por 3 semanas e notificar o caso.
  2. B) Herpes genital ou cancroide – Prescrever aciclovir por 7 dias e azitromicina em dose única.
  3. C) Sífilis tardia – Prescrever penicilina benzatina por 3 semanas.
  4. D) Cancroide ou sífilis recente – Prescrever azitromicina e penicilina benzatina em dose única.

Pérola Clínica

Úlcera genital dolorosa + secreção → Cancroide. Indolor → Sífilis. Tratar ambos empiricamente.

Resumo-Chave

Diante de uma úlcera genital, especialmente em contextos de risco e sem recursos diagnósticos imediatos, a abordagem sindrômica é essencial. A dor e a secreção sugerem cancroide, enquanto a sífilis primária (cancro duro) é tipicamente indolor. O tratamento empírico deve cobrir as causas mais prováveis.

Contexto Educacional

As úlceras genitais são manifestações comuns de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e representam um desafio diagnóstico e terapêutico na atenção primária. A abordagem sindrômica é fundamental, especialmente em locais com recursos diagnósticos limitados, visando tratar as etiologias mais prevalentes e prevenir a disseminação das infecções. As principais causas de úlcera genital incluem sífilis primária, cancroide e herpes genital. A sífilis primária, causada pelo *Treponema pallidum*, manifesta-se como um cancro duro, tipicamente uma úlcera única, indolor, de bordas elevadas e fundo limpo. O cancroide, causado pelo *Haemophilus ducreyi*, caracteriza-se por úlceras múltiplas, dolorosas, com bordas irregulares, fundo sujo e secreção purulenta, frequentemente associado a linfadenopatia inguinal supurativa. O herpes genital, por sua vez, apresenta-se como vesículas que evoluem para úlceras rasas e dolorosas, geralmente múltiplas e agrupadas. Diante de uma úlcera genital, a conduta mais apropriada, especialmente sem microscopia, é o tratamento empírico para as etiologias mais prováveis. A Penicilina Benzatina em dose única é o tratamento de escolha para sífilis recente (primária, secundária ou latente precoce). A Azitromicina em dose única é o tratamento recomendado para cancroide. A combinação desses medicamentos cobre as principais causas bacterianas de úlcera genital. Além do tratamento, é essencial solicitar sorologias para sífilis, HIV e hepatites virais, orientar sobre o uso de preservativos e realizar a comunicação e tratamento dos parceiros sexuais.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que diferenciam sífilis primária de cancroide?

A sífilis primária (cancro duro) geralmente se apresenta como uma úlcera única, indolor, de bordas elevadas e fundo limpo. O cancroide, por outro lado, é tipicamente uma ou múltiplas úlceras dolorosas, com bordas irregulares, fundo sujo e secreção purulenta, frequentemente acompanhado de linfadenopatia inguinal dolorosa.

Qual a conduta inicial para uma úlcera genital em ambiente de atenção primária sem exames?

A conduta inicial deve ser sindrômica, cobrindo as etiologias mais prováveis. Para úlcera genital, o tratamento empírico geralmente inclui Penicilina Benzatina (para sífilis) e Azitromicina (para cancroide), além de orientação para rastreamento de outras DSTs e comunicação de contatos.

Por que é importante tratar empiricamente as úlceras genitais?

O tratamento empírico é crucial para interromper a progressão da doença, aliviar os sintomas, prevenir complicações e reduzir a transmissão das DSTs, especialmente quando o diagnóstico etiológico definitivo não pode ser estabelecido rapidamente.

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