INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2024
Você atende uma paciente de 21 anos na unidade básica de saúde (UBS) com queixa de úlcera genital. A paciente relata que notou a úlcera há mais ou menos oito semanas e relaciona seu aparecimento a uma relação sexual desprotegida. Ao arguir a paciente de forma mais direcionada, ela nega que apresentou febre no período e que a lesão não apresenta e nunca teve aspecto vesicular. Considerando que não há laboratório específico para pesquisa de infecções sexualmente transmissíveis (IST) na UBS em que você está, a melhor conduta deverá ser:
Úlcera genital crônica (>8 semanas), sem febre/vesículas, em UBS sem lab → tratar sífilis/cancroide, investigar LGV/Donovanose e considerar biópsia.
Diante de uma úlcera genital crônica (8 semanas), sem febre ou aspecto vesicular, e na ausência de laboratório específico em UBS, a conduta deve ser abrangente. É fundamental tratar as causas mais comuns (sífilis e cancroide) e investigar ativamente outras ISTs que podem causar lesões crônicas, como Linfogranuloma Venéreo (LGV) e Donovanose. A biópsia é importante para confirmar o diagnóstico, especialmente se houver suspeita de causas menos comuns ou falha terapêutica.
As úlceras genitais são um problema comum na prática clínica, especialmente em unidades básicas de saúde (UBS), e representam um desafio diagnóstico e terapêutico devido à diversidade de agentes etiológicos. A história clínica detalhada, incluindo o tempo de evolução da lesão, a presença de dor, febre e o aspecto da úlcera, é fundamental para o diagnóstico diferencial. A relação sexual desprotegida é um fator de risco importante para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A fisiopatologia das úlceras genitais varia conforme o agente. A sífilis primária, causada pelo Treponema pallidum, manifesta-se como um cancro duro, geralmente indolor, que pode persistir por semanas. O cancroide, causado pelo Haemophilus ducreyi, é caracterizado por úlceras dolorosas com bordas irregulares. O Linfogranuloma Venéreo (LGV), causado por Chlamydia trachomatis, e a Donovanose (Granuloma Inguinal), causada por Klebsiella granulomatis, são causas menos comuns, mas importantes de úlceras crônicas e progressivas, que podem não apresentar o aspecto vesicular típico do herpes genital. Na ausência de laboratório específico em UBS, o manejo sindrômico é a abordagem recomendada. Isso implica tratar empiricamente as causas mais comuns (sífilis e cancroide) e, em casos de lesões crônicas ou atípicas, investigar ativamente e considerar o tratamento para LGV e Donovanose. A biópsia da lesão é uma ferramenta diagnóstica valiosa para confirmar o agente etiológico, especialmente quando há dúvidas ou falha terapêutica, garantindo um tratamento preciso e evitando iatrogenias.
As principais causas são sífilis (cancro duro, indolor, bordas elevadas), herpes genital (vesículas agrupadas que ulceram, dolorosas), cancroide (úlcera dolorosa, bordas irregulares, fundo purulento), linfogranuloma venéreo (LGV) (úlcera pequena e transitória, seguida de linfadenopatia inguinal supurativa) e donovanose (granuloma inguinal) (lesão granulomatosa, indolor, progressiva).
O manejo sindrômico é crucial em UBS sem acesso a exames laboratoriais específicos, pois permite iniciar o tratamento rapidamente para as causas mais prováveis, prevenindo a transmissão e complicações. Baseia-se nos sinais e sintomas clínicos para cobrir os agentes etiológicos mais comuns, como sífilis e cancroide, e direcionar a investigação para outros diagnósticos.
A biópsia de uma úlcera genital é indicada quando o diagnóstico é incerto após o manejo sindrômico, quando a lesão é atípica, não responde ao tratamento inicial, ou há suspeita de causas menos comuns como Donovanose, LGV ou neoplasias. É uma ferramenta importante para um diagnóstico preciso e para guiar o tratamento adequado.
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