FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 56 anos, tabagista e etilista, sem outras comorbidades, foi encaminhado do ambulatório de gastroenterologia em função de úlcera gástrica na região pré-pilórica, tipo III pela classificação modificada de Johnson, intratável clinicamente, mas com múltiplas biópsias sem demonstrarem malignidade. Enquanto realizava os exames pré-operatórios, deu entrada na emergência com abdômen agudo perfurativo, estável hemodinamicamente. À laparotomia, realizada 1h após a admissão do paciente no hospital, presença de lesão perfurada de 1cm na região pré-pilórica e pequena quantidade de secreção gástrica na cavidade abdominal. A partir dos dados apresentados, qual a conduta cirúrgica mais apropriada?
Úlcera Johnson III (pré-pilórica) = Hipercloridria → Tratar como duodenal (Vagotomia + Antrectomia).
Úlceras tipo III (pré-pilóricas) comportam-se fisiopatologicamente como úlceras duodenais, exigindo controle da acidez. Em pacientes estáveis com histórico de intratabilidade, a cirurgia definitiva é preferível à simples sutura.
O manejo da úlcera péptica perfurada evoluiu com o advento dos inibidores de bomba de prótons, mas a cirurgia definitiva ainda ocupa espaço em casos de intratabilidade. A classificação de Johnson é fundamental para guiar a técnica: úlceras associadas à hipercloridria (II e III) necessitam de vagotomia. A antrectomia é o padrão-ouro pois remove a zona de gastrina e a própria úlcera, permitindo análise histopatológica obrigatória para excluir malignidade oculta, mesmo com biópsias prévias negativas.
Diferente das úlceras tipo I, as do tipo III (pré-pilóricas) estão associadas à hipersecreção ácida, similar às duodenais. Em um paciente com histórico de intratabilidade clínica (falha no tratamento medicamentoso) que se apresenta estável hemodinamicamente e com pouco tempo de evolução da perfuração, a realização de um procedimento definitivo como a vagotomia associada à antrectomia é indicada para tratar a causa base da doença e prevenir recidivas, que são frequentes apenas com a sutura simples.
A classificação de Johnson divide as úlceras gástricas conforme a localização e secreção ácida: Tipo I ocorre na pequena curvatura (baixa secreção); Tipo II ocorre no corpo gástrico associada a uma úlcera duodenal (hipersecreção); Tipo III é a pré-pilórica (hipersecreção). As do tipo II e III são fisiopatologicamente semelhantes às duodenais, exigindo procedimentos que reduzam a produção de ácido gástrico, como a vagotomia, além da ressecção da lesão.
A omentopexia (técnica de Graham) ou sutura simples é a conduta de escolha em pacientes com instabilidade hemodinâmica, peritonite purulenta/fecal grave, tempo de perfuração superior a 24 horas ou quando o cirurgião não possui experiência técnica para realizar uma ressecção gástrica segura em ambiente de urgência. No caso clínico apresentado, a estabilidade e o curto tempo de evolução (1h) permitiram a conduta definitiva.
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