Úlcera Gástrica Suspeita: Manejo na Hemorragia Digestiva Alta

HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 66 anos, tabagista, é internado por hemorragia digestiva alta (HDA). Nega comorbidades e refere uso de remédio para cefaleia com certa frequência nas últimas semanas. O paciente evolui bem no seu terceiro dia de internação, sem novas exteriorizações e você pensa em programar a alta. O controle diário de hemoglobina desde a admissão é: maior do corpo gástrico, 1,5 cm, bordas irregulares, com depósito de fibrina. Com relação ao diagnóstico e à conduta para este paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) HDA por úlcera gástrica de aspecto péptico. Alta hospitalar com inibidor de bomba de prótons VO por duas semanas.
  2. B) HDA por úlcera gástrica suspeita de ser neoplásica. Manter internação com uso de omeprazol EV por sete dias.
  3. C) HDA por úlcera gástrica medicamentosa. Alta hospitalar com uso contínuo de omeprazol e EDA em seis meses.
  4. D) HDA por úlcera gástrica suspeita de ser neoplásica. Alta hospitalar com inibidor de bomba protônica por quatro semanas e EDA após.
  5. E) HDA por úlcera gástrica de aspecto péptico. Manter internação com uso de omeprazol EV associado ao tratamento do H. pylori por sete dias.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica com bordas irregulares em idoso tabagista → suspeita neoplásica, IBP 4 semanas + EDA controle com biópsia.

Resumo-Chave

Úlceras gástricas, especialmente em pacientes com fatores de risco para malignidade (idade, tabagismo) e com características endoscópicas atípicas (bordas irregulares, fibrina), devem ser sempre consideradas suspeitas para neoplasia. O tratamento inicial com IBP é padrão, mas o controle endoscópico com biópsia é mandatório para excluir malignidade.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta por úlcera gástrica é uma condição comum, mas a etiologia da úlcera deve ser cuidadosamente avaliada. Em pacientes idosos, tabagistas ou com úlceras de aspecto endoscópico irregular, a suspeita de malignidade é alta, mesmo na presença de fatores de risco para úlcera péptica, como uso de AINEs. O diagnóstico diferencial entre úlcera péptica benigna e úlcera gástrica maligna é crucial. Características como bordas irregulares, nodularidade e ausência de pregas convergentes na endoscopia são sinais de alerta. O tratamento inicial da HDA envolve estabilização hemodinâmica e uso de inibidores de bomba de prótons (IBP). A conduta definitiva para úlceras gástricas suspeitas de malignidade inclui o tratamento com IBP por um período (geralmente 4-8 semanas) seguido de uma endoscopia de controle com múltiplas biópsias para confirmar a benignidade ou malignidade. A não realização do controle endoscópico pode atrasar o diagnóstico de um câncer gástrico.

Perguntas Frequentes

Quais características de uma úlcera gástrica sugerem malignidade?

Bordas irregulares, nodularidade, massa adjacente, pregas que não convergem para a úlcera e tamanho maior que 2 cm são sinais de alerta para malignidade em úlceras gástricas.

Qual a importância do controle endoscópico em úlceras gástricas?

É fundamental para biópsia e acompanhamento da cicatrização, garantindo a exclusão de malignidade, especialmente em úlceras com características atípicas ou em pacientes de risco. A não cicatrização também é um sinal de alerta.

Qual a diferença de manejo entre úlcera gástrica e duodenal?

Úlceras duodenais são quase sempre benignas e raramente requerem biópsia. Úlceras gástricas, no entanto, têm um risco significativo de malignidade e sempre devem ser biopsiadas e acompanhadas com endoscopia de controle.

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