INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Homem de 48 anos retorna assintomático ao ambulatório. Há três meses iniciou tratamento com omeprazol, após endoscopia digestiva alta (EDA) ter evidenciado úlcera em corpo gástrico de 1 cm, bordas planas e nítidas, fundo com fibrina, sem sangramento ativo. Pesquisa para Helicobacter pylori: negativa. Exame físico: PA 114x76 mmHg; FC 68 bpm; FR 14 irpm; restante sem alterações. Assinale a melhor conduta para o caso.
Úlcera gástrica H. pylori negativa → SEMPRE repetir EDA para confirmar cicatrização e excluir malignidade, mesmo assintomático.
Úlceras gástricas, especialmente as não associadas a H. pylori, possuem um risco inerente de malignidade, mesmo que endoscopicamente benignas. A repetição da endoscopia é fundamental para documentar a cicatrização e, mais importante, para realizar biópsias adicionais se necessário, garantindo a exclusão de um processo neoplásico subjacente.
A úlcera péptica é uma lesão na mucosa gastrointestinal que se estende até a muscular da mucosa. Embora a maioria das úlceras duodenais seja benigna e associada a H. pylori, as úlceras gástricas, especialmente as não relacionadas ao H. pylori, apresentam um risco significativo de malignidade. É crucial diferenciar úlceras benignas de malignas, pois o tratamento e o prognóstico são drasticamente diferentes. A prevalência de malignidade em úlceras gástricas pode variar, mas a vigilância é sempre justificada. A fisiopatologia das úlceras gástricas H. pylori negativas pode envolver o uso de AINEs, estresse, tabagismo ou, em casos mais preocupantes, ser a manifestação de um adenocarcinoma gástrico. O diagnóstico inicial é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias. No entanto, uma única biópsia pode não ser representativa, e a melhora sintomática sob tratamento com IBP não exclui malignidade. Por isso, a repetição da EDA é um passo diagnóstico e de acompanhamento indispensável. A conduta para úlceras gástricas H. pylori negativas envolve o tratamento com IBP por 8 a 12 semanas, seguido obrigatoriamente pela repetição da EDA para confirmar a cicatrização e, mais importante, para realizar novas biópsias e descartar malignidade. A alta ambulatorial só deve ser considerada após a confirmação endoscópica e histopatológica da cicatrização e benignidade da lesão. Ignorar a necessidade de reavaliação pode levar a um atraso no diagnóstico de câncer gástrico, com consequências graves para o paciente.
A principal preocupação é a possibilidade de malignidade subjacente. Mesmo úlceras com aspecto benigno à primeira endoscopia podem ser neoplásicas, justificando a vigilância rigorosa.
A repetição da EDA é indicada para todas as úlceras gástricas, especialmente as H. pylori negativas, para confirmar a cicatrização e, crucialmente, para realizar novas biópsias e descartar malignidade, independentemente da melhora sintomática.
Geralmente, a repetição da endoscopia para úlceras gástricas é recomendada entre 6 a 12 semanas após o início do tratamento, para avaliar a cicatrização e excluir malignidade.
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