INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Homem de 42 anos, em uso crônico de anti-inflamatório não esteroide por doença reumática, dá entrada no pronto-socorro com 6 horas de evolução de dor epigástrica de forte intensidade. Sinais vitais: Ao exame físico, abdome tenso, com descompressão brusca dolorosa nos quatro quadrantes. O hemograma apresenta valores dentro da normalidade e a tomografia de abdome evidencia líquido livre intraperitoneal com ar no recesso hepatofrênico. Nesse caso, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica.
Dor epigástrica súbita + uso AINE + abdome tenso + pneumoperitônio = Úlcera péptica perfurada.
A tríade de dor epigástrica súbita e intensa, uso crônico de AINEs e sinais de peritonite difusa com pneumoperitônio na tomografia é altamente sugestiva de úlcera péptica perfurada, uma emergência cirúrgica grave.
A úlcera gástrica perfurada é uma complicação grave da doença ulcerosa péptica, caracterizada pela formação de um orifício na parede do estômago ou duodeno, permitindo o extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal. Isso leva a uma peritonite química inicial, seguida por uma peritonite bacteriana, sendo uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade. O uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é um dos principais fatores etiológicos, ao comprometer a barreira protetora da mucosa gástrica. O quadro clínico típico é de dor abdominal súbita, intensa e em punhalada no epigástrio, que rapidamente se generaliza para todo o abdome, levando a sinais de peritonite difusa, como abdome em tábua e descompressão brusca dolorosa. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica e exame físico, e confirmado pela presença de pneumoperitônio em exames de imagem, como a radiografia de tórax (ar subdiafragmático) ou, mais sensivelmente, a tomografia computadorizada de abdome, que pode mostrar ar livre intraperitoneal e líquido livre. O tratamento da úlcera gástrica perfurada é cirúrgico e consiste na rafia simples da perfuração, muitas vezes com omental patch (patch de Graham), e lavagem da cavidade peritoneal. A intervenção precoce é crucial para reduzir a morbidade e mortalidade. O manejo pós-operatório inclui antibioticoterapia de amplo espectro, inibidores da bomba de prótons e erradicação de H. pylori, se presente. A identificação e correção dos fatores de risco, como o uso de AINEs, são essenciais para a prevenção de recorrências.
Os principais fatores de risco incluem o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), infecção por Helicobacter pylori, tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico. No caso apresentado, o uso crônico de AINEs é um fator de risco proeminente.
O pneumoperitônio, a presença de ar livre na cavidade peritoneal, é classicamente diagnosticado por radiografia de tórax (ar subdiafragmático) ou, de forma mais sensível, por tomografia computadorizada de abdome. Sua presença é um sinal patognomônico de perfuração de víscera oca, como uma úlcera gástrica ou intestinal, e indica uma emergência cirúrgica.
Diferenciais incluem pancreatite aguda, colecistite aguda, infarto agudo do miocárdio e gastrite aguda. A úlcera perfurada se distingue pela dor súbita e intensa, rapidamente evoluindo para peritonite difusa, e a presença de pneumoperitônio. Pancreatite e colecistite geralmente não causam pneumoperitônio e têm achados laboratoriais e de imagem específicos (amilase/lipase elevadas, US de vesícula).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo