Úlcera Gástrica Perfurada: Abordagem Cirúrgica Correta

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre a abordagem cirúrgica do estômago assinale a opção ERRADA:

Alternativas

  1. A) A principal artéria do estômago é a gástrica esquerda, ramo do tronco celíaco;
  2. B) Os pacientes com úlcera perfurada tipo I devem ser tratados com ulcerorrafia + um procedimento para reduzir secreção ácida (vagotomia seletiva por exemplo).
  3. C) Na síndrome de Zolinger-Elisson geralmente temos hipergastrinemia e úlceras frequentes ou numerosas;
  4. D) Síndrome de dumping é decorrente da perda da função de contenção exercida pelo piloro que ocorre em alguns tipos de procedimento cirúrgico;
  5. E) O Helicobacterpylori é associado ao maior risco de câncer gástrico.

Pérola Clínica

Úlcera perfurada tipo I (gástrica, pequena curvatura) → ulcerorrafia simples sem vagotomia, pois a causa é geralmente H. pylori ou AINEs.

Resumo-Chave

Úlceras gástricas perfuradas tipo I (pequena curvatura, sem hipersecreção ácida) são geralmente causadas por H. pylori ou AINEs. O tratamento consiste em ulcerorrafia simples e erradicação do H. pylori, sem necessidade de procedimento para reduzir secreção ácida como a vagotomia, que é reservada para úlceras duodenais ou gástricas associadas à hipersecreção.

Contexto Educacional

A abordagem cirúrgica do estômago é um tema complexo que exige conhecimento aprofundado da anatomia, fisiologia e patologias gástricas. As úlceras pépticas, sejam gástricas ou duodenais, podem apresentar complicações graves como perfuração, hemorragia e obstrução, que frequentemente demandam intervenção cirúrgica. A escolha do procedimento depende da etiologia, localização e tipo da úlcera. As úlceras gástricas são classificadas de acordo com Johnson. As úlceras tipo I, localizadas na pequena curvatura e não associadas à hipersecreção ácida, são geralmente causadas por infecção por Helicobacter pylori ou uso de AINEs. Em caso de perfuração, o tratamento padrão é a ulcerorrafia simples (fechamento da perfuração) e o tratamento da causa subjacente (erradicação do H. pylori ou suspensão do AINE). Procedimentos para reduzir a secreção ácida, como a vagotomia, não são indicados para úlceras tipo I, pois a hipersecreção não é o fator etiológico principal. Outros conceitos importantes incluem a Síndrome de Zollinger-Ellison, caracterizada por hipergastrinemia e úlceras pépticas refratárias devido a um gastrinoma; a Síndrome de Dumping, uma complicação comum de cirurgias gástricas que alteram a função pilórica; e a associação do Helicobacter pylori com o aumento do risco de câncer gástrico. A artéria gástrica esquerda, ramo do tronco celíaco, é de fato uma das principais artérias do estômago, fundamental na irrigação da pequena curvatura.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre úlcera gástrica tipo I e úlcera duodenal perfurada na abordagem cirúrgica?

Úlceras gástricas tipo I perfuradas geralmente requerem apenas ulcerorrafia e tratamento da causa (H. pylori/AINEs), enquanto úlceras duodenais perfuradas, frequentemente associadas à hipersecreção, podem necessitar de um procedimento redutor de ácido (como vagotomia) além da rafia.

O que é a Síndrome de Zollinger-Ellison e como ela se relaciona com úlceras?

A Síndrome de Zollinger-Ellison é uma condição rara causada por um gastrinoma (tumor produtor de gastrina) que leva à hipersecreção gástrica severa, resultando em úlceras pépticas múltiplas, refratárias e em locais atípicos.

Como o Helicobacter pylori se relaciona com o câncer gástrico?

O Helicobacter pylori é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de câncer gástrico, especialmente o adenocarcinoma gástrico tipo intestinal e o linfoma MALT, devido à inflamação crônica que induz na mucosa gástrica.

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