Úlcera Gástrica Perfuração: Riscos de Hemorragia e AINEs

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Indivíduo masculino, 36 anos, usuário recorrente de antinflamatórios não esteroidal, devido à lesão muscular em região dorsal. Na noite anterior deu entrada na emergência médica com dores epigástricas e hematêmese. Exames de imagem evidenciaram pneumoperitônio. Paciente encaminhado para videolaparoscopia de urgência onde foi verificado úlcera gástrica perfurada tipo IV. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Nestas lesões são incomuns hemorragias significativas.
  2. B) Indivíduos jovens tem taxas aumentadas de perfuração.
  3. C) O exame endoscópico diferencia facilmente úlcera benigna de uma lesão neoplásica.
  4. D) A hemorragia é mais observada em pacientes com úlceras gástricas tipos II e III.

Pérola Clínica

Úlceras gástricas tipos II e III (associadas a hipersecreção) → maior risco de hemorragia digestiva.

Resumo-Chave

Úlceras gástricas, especialmente as do tipo II (gástrica e duodenal) e III (pré-pilórica), estão frequentemente associadas à hipersecreção ácida e têm um risco aumentado de complicações hemorrágicas. O uso crônico de AINEs é um fator de risco importante para o desenvolvimento de úlceras pépticas e suas complicações, como perfuração e sangramento.

Contexto Educacional

A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica grave, frequentemente associada ao uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) ou infecção por Helicobacter pylori. A apresentação clínica clássica inclui dor epigástrica súbita e intensa, com sinais de peritonite e, como no caso, hematêmese, indicando sangramento prévio ou concomitante. O pneumoperitônio em exames de imagem é um achado patognomônico de perfuração de víscera oca. A classificação de Johnson para úlceras gástricas categoriza as úlceras com base em sua localização e associação com hipersecreção ácida. As úlceras tipo II (gástrica e duodenal) e tipo III (pré-pilórica) são tipicamente associadas à hipersecreção ácida e, consequentemente, apresentam um risco aumentado de complicações hemorrágicas. Em contraste, as úlceras tipo I (corpo gástrico) e tipo IV (cárdia/subcárdia) são menos associadas à hipersecreção. O tratamento da úlcera perfurada é cirúrgico, geralmente por videolaparoscopia, para fechamento da perfuração e lavagem da cavidade. O manejo pós-operatório inclui erradicação do H. pylori (se presente) e suspensão dos AINEs. É fundamental que o residente compreenda os fatores de risco e a fisiopatologia para um manejo adequado e prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para úlcera péptica perfurada?

Os principais fatores de risco incluem infecção por H. pylori, uso crônico de AINEs, tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico grave.

Como o uso de AINEs contribui para o desenvolvimento de úlceras gástricas?

AINEs inibem a ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica, levando a um desequilíbrio entre fatores protetores e agressores.

Qual a importância do pneumoperitônio no diagnóstico de úlcera perfurada?

O pneumoperitônio (presença de ar livre na cavidade abdominal) é um sinal radiológico clássico e altamente sugestivo de perfuração de víscera oca, como uma úlcera gástrica.

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