UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Homem, 60 anos de idade, realizou endoscopia digestiva alta por melena sem repercussão hemodinâmica. O laudo apresenta lesão ulcerada bem delimitada de 8 mm na pequena curvatura do antro, com fundo recoberto por fibrina. A biópsia revelou gastrite crônica e presença de Helicobacter pylori. Qual é a conduta mais adequada?
Úlcera gástrica, mesmo benigna à biópsia inicial, requer controle endoscópico com novas biópsias para excluir malignidade.
Úlceras gástricas, especialmente as localizadas na pequena curvatura, têm um risco significativo de malignidade, mesmo que a biópsia inicial seja benigna. A biópsia pode não ter capturado o tecido maligno. Portanto, é essencial realizar uma nova endoscopia com múltiplas biópsias após o tratamento do H. pylori e cicatrização da úlcera para confirmar a benignidade e excluir câncer gástrico.
A úlcera gástrica é uma lesão na mucosa do estômago que se estende além da muscular da mucosa. Embora a maioria das úlceras gástricas seja benigna e causada por infecção por Helicobacter pylori ou uso de AINEs, uma proporção significativa pode ser maligna, representando um desafio diagnóstico. A melena, como apresentada no caso, é um sinal de sangramento digestivo alto, que pode ser causado tanto por úlceras benignas quanto malignas. O diagnóstico inicial é feito por endoscopia digestiva alta, que permite a visualização direta da lesão e a coleta de biópsias. A presença de H. pylori é um fator etiológico importante e deve ser tratada. No entanto, a morfologia da úlcera por si só não é suficiente para descartar malignidade, e mesmo biópsias iniciais negativas para câncer podem ser falsos negativos. A conduta mais adequada para úlceras gástricas, especialmente aquelas com características atípicas ou localizadas em áreas de maior risco (como a pequena curvatura), é a erradicação do H. pylori (se presente) e, crucialmente, a realização de uma endoscopia de controle com múltiplas biópsias após 6 a 8 semanas. Este seguimento é vital para confirmar a cicatrização da úlcera e, mais importante, para garantir que não há malignidade subjacente que possa ter sido perdida na biópsia inicial.
É crucial porque úlceras gástricas podem ser manifestações de câncer gástrico, e a biópsia inicial pode não ter capturado células malignas. A diferenciação entre úlcera benigna e maligna é fundamental para o prognóstico e tratamento.
O Helicobacter pylori é a principal causa de úlceras pépticas e gastrite crônica. Sua erradicação é essencial para a cicatrização da úlcera e prevenção de recorrências, além de reduzir o risco de câncer gástrico.
Uma endoscopia de controle com múltiplas biópsias é fortemente indicada para todas as úlceras gástricas, geralmente 6 a 8 semanas após o início do tratamento, para confirmar a cicatrização e, mais importante, para excluir definitivamente a presença de malignidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo