Úlcera Gástrica e H. pylori: Manejo e Erradicação

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 55 anos, em uso abusivo de analgésicos por cefaleia tensional. Há três meses com epigastralgia e perda discreta de peso. A endoscopia digestiva alta (EDA) revelou lesão ulcerada, em corpo gástrico, cuja biópsia evidenciou material necrótico. O teste de urease foi reativo. A pesquisa de Helicobacter pylori foi positiva à coloração hematoxilina-eosina. Qual destas é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever ranitidina por oito semanas e solicitar EDA de controle.
  2. B) Prescrever omeprazol por oito semanas e solicitar EDA, se não houver melhora dos sintomas. 
  3. C) Prescrever omeprazol, amoxacilina e claritromicina por duas semanas e solicitar EDA, se não houver melhora dos sintomas. 
  4. D) Prescrever omeprazol, amoxacilina e claritromicina por uma semana, omeprazol por mais 6 semanas e solicitar EDA de controle.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica + H. pylori + biópsia necrótica → Erradicação H. pylori + IBP prolongado + EDA controle (descartar malignidade).

Resumo-Chave

A presença de H. pylori em úlcera gástrica, especialmente com biópsia mostrando material necrótico, exige erradicação da bactéria e acompanhamento rigoroso. A úlcera gástrica tem risco de malignidade, diferente da duodenal, necessitando de controle endoscópico para confirmar cicatrização e excluir neoplasia.

Contexto Educacional

A úlcera gástrica é uma lesão na mucosa do estômago que pode ser causada por diversos fatores, sendo os mais comuns a infecção por Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). A epidemiologia mostra que a prevalência de H. pylori é alta em muitas populações, e sua presença aumenta significativamente o risco de úlceras e câncer gástrico. A importância clínica reside no potencial de complicações como sangramento, perfuração e, no caso das úlceras gástricas, a possibilidade de malignidade. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre fatores protetores da mucosa gástrica (muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo) e fatores agressores (ácido clorídrico, pepsina, H. pylori, AINEs). O H. pylori coloniza a mucosa gástrica, induzindo inflamação e aumentando a produção de ácido. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia, que permite a avaliação histopatológica da lesão e a pesquisa do H. pylori (teste de urease, histopatologia). A suspeita deve surgir em pacientes com dispepsia, perda de peso, anemia ou sangramento gastrointestinal. O tratamento da úlcera gástrica associada a H. pylori envolve a erradicação da bactéria com terapia tríplice (IBP + dois antibióticos) e a supressão ácida prolongada com IBP para cicatrização da úlcera. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento endoscópico com biópsias de controle é mandatório para úlceras gástricas, a fim de confirmar a cicatrização e excluir malignidade, especialmente em casos com achados suspeitos na biópsia inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da biópsia em uma úlcera gástrica?

A biópsia é crucial para diferenciar uma úlcera benigna de uma maligna. Úlceras gástricas, ao contrário das duodenais, têm um risco significativo de serem neoplásicas, mesmo que pareçam benignas macroscopicamente, exigindo avaliação histopatológica.

Por que é necessário realizar uma EDA de controle após o tratamento de uma úlcera gástrica?

A EDA de controle é fundamental para confirmar a cicatrização completa da úlcera e, mais importante, para rebiopsiar a área e garantir que não há malignidade subjacente, especialmente se a biópsia inicial mostrou material necrótico ou não foi conclusiva.

Qual o esquema de tratamento mais adequado para erradicação de H. pylori em úlcera gástrica?

O esquema padrão de primeira linha para erradicação de H. pylori é a terapia tríplice, que inclui um inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose dupla, amoxicilina e claritromicina, geralmente por 7 a 14 dias, seguido de IBP por mais algumas semanas para cicatrização da úlcera.

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