UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 55 anos, em uso abusivo de analgésicos por cefaleia tensional. Há três meses com epigastralgia e perda discreta de peso. A endoscopia digestiva alta (EDA) revelou lesão ulcerada, em corpo gástrico, cuja biópsia evidenciou material necrótico. O teste de urease foi reativo. A pesquisa de Helicobacter pylori foi positiva à coloração hematoxilina-eosina. Qual destas é a conduta mais adequada?
Úlcera gástrica + H. pylori + biópsia necrótica → Erradicação H. pylori + IBP prolongado + EDA controle (descartar malignidade).
A presença de H. pylori em úlcera gástrica, especialmente com biópsia mostrando material necrótico, exige erradicação da bactéria e acompanhamento rigoroso. A úlcera gástrica tem risco de malignidade, diferente da duodenal, necessitando de controle endoscópico para confirmar cicatrização e excluir neoplasia.
A úlcera gástrica é uma lesão na mucosa do estômago que pode ser causada por diversos fatores, sendo os mais comuns a infecção por Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). A epidemiologia mostra que a prevalência de H. pylori é alta em muitas populações, e sua presença aumenta significativamente o risco de úlceras e câncer gástrico. A importância clínica reside no potencial de complicações como sangramento, perfuração e, no caso das úlceras gástricas, a possibilidade de malignidade. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre fatores protetores da mucosa gástrica (muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo) e fatores agressores (ácido clorídrico, pepsina, H. pylori, AINEs). O H. pylori coloniza a mucosa gástrica, induzindo inflamação e aumentando a produção de ácido. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia, que permite a avaliação histopatológica da lesão e a pesquisa do H. pylori (teste de urease, histopatologia). A suspeita deve surgir em pacientes com dispepsia, perda de peso, anemia ou sangramento gastrointestinal. O tratamento da úlcera gástrica associada a H. pylori envolve a erradicação da bactéria com terapia tríplice (IBP + dois antibióticos) e a supressão ácida prolongada com IBP para cicatrização da úlcera. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento endoscópico com biópsias de controle é mandatório para úlceras gástricas, a fim de confirmar a cicatrização e excluir malignidade, especialmente em casos com achados suspeitos na biópsia inicial.
A biópsia é crucial para diferenciar uma úlcera benigna de uma maligna. Úlceras gástricas, ao contrário das duodenais, têm um risco significativo de serem neoplásicas, mesmo que pareçam benignas macroscopicamente, exigindo avaliação histopatológica.
A EDA de controle é fundamental para confirmar a cicatrização completa da úlcera e, mais importante, para rebiopsiar a área e garantir que não há malignidade subjacente, especialmente se a biópsia inicial mostrou material necrótico ou não foi conclusiva.
O esquema padrão de primeira linha para erradicação de H. pylori é a terapia tríplice, que inclui um inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose dupla, amoxicilina e claritromicina, geralmente por 7 a 14 dias, seguido de IBP por mais algumas semanas para cicatrização da úlcera.
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