UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 48a, retorna assintomático à Unidade Básica de Saúde. Há três meses iniciou tratamento com omeprazol, após endoscopia digestiva alta (EDA) ter evidenciado úlcera em corpo gástrico de 1cm, bordas planas e nítidas, fundo com fibrina, sem sangramento ativo. Pesquisa para Helicobacter pylori=negativa. Exame físico: PA=114x76mmHg; FC=68bpm; FR=14irpm; restante sem alterações. A CONDUTA É:
Úlcera gástrica, mesmo H. pylori negativa, sempre exige EDA de controle para excluir malignidade.
Úlceras gástricas têm um risco significativo de malignidade, mesmo quando H. pylori é negativo. A repetição da EDA após o tratamento é crucial para confirmar a cicatrização e, mais importante, para reavaliar e biopsiar qualquer lesão persistente que possa ser neoplásica.
O manejo da úlcera gástrica difere significativamente do manejo da úlcera duodenal, principalmente devido ao risco de malignidade. Enquanto a maioria das úlceras duodenais é benigna e associada à infecção por Helicobacter pylori, as úlceras gástricas, mesmo na ausência de H. pylori, carregam um risco considerável de serem neoplásicas ou de mascararem um câncer gástrico. Por essa razão, a abordagem diagnóstica e de seguimento deve ser mais cautelosa. A endoscopia digestiva alta (EDA) inicial com biópsias é crucial para a caracterização da úlcera. No entanto, mesmo com biópsias iniciais negativas para malignidade, a cicatrização completa da úlcera deve ser confirmada. A persistência da úlcera ou a presença de alterações morfológicas após o tratamento clínico (geralmente com inibidores de bomba de prótons por 6-8 semanas) levanta forte suspeita de malignidade e exige novas biópsias. Portanto, a conduta de repetir a EDA, independentemente da melhora dos sintomas, é um pilar no seguimento de úlceras gástricas. A ausência de sintomas não garante a benignidade ou a cicatrização da lesão, e a falha em realizar o controle endoscópico pode atrasar o diagnóstico de um câncer gástrico em estágio inicial, comprometendo o prognóstico do paciente.
A repetição da EDA é fundamental para confirmar a cicatrização da úlcera e, principalmente, para excluir a presença de malignidade, pois úlceras gástricas podem ser manifestações de câncer gástrico, mesmo com H. pylori negativo.
Geralmente, a EDA de controle é recomendada 6 a 8 semanas após o início do tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP) para reavaliar a lesão e realizar novas biópsias se necessário.
Não. A melhora sintomática não é um indicador confiável da cicatrização completa da úlcera ou da ausência de malignidade. A avaliação endoscópica direta é indispensável.
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