SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Mulher de 58 anos, sem histórico de uso de anti-inflamatórios não esteroidais, tabagismo ou consumo de álcool, apresenta dor epigástrica crônica, de intensidade moderada, associada à saciedade precoce e náuseas. Endoscopia digestiva alta revela úlcera gástrica de 1,5 cm no antro. Testes para Helicobacter pylori (respiratório e histológico) foram negativos. Exames laboratoriais, incluindo hemograma e função hepática, são normais. Qual o próximo passo mais indicado no manejo?
Úlcera gástrica SEMPRE exige múltiplas biópsias (mínimo 6) para excluir neoplasia, mesmo se H. pylori for negativo.
Toda úlcera gástrica deve ser considerada potencialmente maligna até prova em contrário. A negatividade para H. pylori e a ausência de fatores de risco não excluem a necessidade de biópsias repetidas e exaustivas.
O manejo da úlcera gástrica difere substancialmente da úlcera duodenal devido ao risco de câncer gástrico. No caso de uma paciente de 58 anos com úlcera de 1,5 cm e testes negativos para H. pylori, a suspeita de malignidade ou de outras causas (como isquemia ou uso oculto de AINEs) aumenta. O adenocarcinoma gástrico tipo intestinal de Lauren frequentemente se apresenta como uma lesão ulcerada. A conduta de realizar biópsias repetidas é fundamental. Mesmo que as biópsias iniciais sejam negativas, se houver qualquer dúvida diagnóstica ou se a úlcera for refratária, a reavaliação endoscópica com novas coletas é o padrão-ouro. O tratamento com IBP pode mascarar os sintomas e até promover uma cicatrização parcial da mucosa sobre o tumor, o que reforça a necessidade de vigilância rigorosa.
Úlceras duodenais são quase universalmente benignas (associadas a H. pylori ou AINEs). Já as úlceras gástricas têm uma incidência significativa de associação com adenocarcinoma gástrico. Muitas vezes, um câncer gástrico pode se ulcerar e mimetizar macroscopicamente uma úlcera péptica benigna.
As diretrizes recomendam a realização de pelo menos 6 a 8 biópsias das bordas e da base da úlcera. Se a úlcera não cicatrizar completamente em exames de controle após o tratamento com IBP, novas biópsias devem ser realizadas, pois a cicatrização parcial pode ocorrer mesmo em lesões malignas.
Sinais de alerta incluem bordas irregulares, nodulares ou elevadas, base suja ou necrótica, interrupção das pregas gástricas ao redor da lesão e diâmetro maior que 2 cm. No entanto, a aparência pode ser enganosa, tornando a biópsia obrigatória em todos os casos gástricos.
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