Manejo da Úlcera Gástrica: Indicações de Biópsia e Conduta

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 68 anos com histórico de hipertensão e hipercolesterolemia chega ao seu consultório com queixa de piora da dor epigástrica e fraqueza. A dor melhora com a ingestão oral, principalmente de produtos à base de leite. O paciente vem tratando sua dor com Naproxeno. No consultório, o paciente está com os sinais vitais normais. Seu exame físico revela leve sensibilidade epigástrica na palpação profunda. A hemoglobina sérica é de 8,3 g/dL. O exame de sangue oculto nas fezes é positivo e a colonoscopia normal. A Esofagogastroduodenoscopia (EGD) revela uma lesão ulcerada de 2,5 cm com bordas elevadas e irregulares no estômago, a 5 cm da junção esofagogástrica. O manejo adequado da úlcera inclui qual das seguintes opções?

Alternativas

  1. A) Observação e repetição da endoscopia em um ano;
  2. B) Suspensão do Naproxeno e início do Sucralfato com um inibidor da bomba de prótons e nova EGD em 3 meses;
  3. C) Biópsia da úlcera;
  4. D) Gastrectomia total.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica com bordas irregulares ou >2cm → SEMPRE biopsiar para excluir adenocarcinoma gástrico.

Resumo-Chave

Diferente das úlceras duodenais, toda úlcera gástrica deve ser biopsiada na endoscopia inicial e acompanhada até a cicatrização completa para descartar malignidade oculta.

Contexto Educacional

A úlcera péptica gástrica exige uma abordagem diagnóstica rigorosa devido ao risco de adenocarcinoma gástrico mimetizar uma lesão benigna. Enquanto a úlcera duodenal raramente é maligna e dispensa biópsia rotineira, a úlcera gástrica deve ser avaliada histologicamente, principalmente em pacientes idosos, com anemia ou lesões de morfologia irregular. O uso de AINEs, como o Naproxeno no caso, é um fator de risco importante para úlceras pépticas, mas não exclui a possibilidade de uma neoplasia coexistente. O manejo clínico envolve a suspensão de agentes agressores, erradicação de H. pylori se presente e terapia com IBP. Contudo, a prioridade diagnóstica em uma lesão de 2,5 cm com características suspeitas é a obtenção de fragmentos para análise. A falha em diagnosticar precocemente um câncer gástrico em estágio inicial impacta diretamente o prognóstico e a sobrevida do paciente, tornando a biópsia o passo fundamental no algoritmo de investigação.

Perguntas Frequentes

Por que toda úlcera gástrica deve ser biopsiada?

Diferente das úlceras duodenais, que são quase universalmente benignas, as úlceras gástricas podem representar um adenocarcinoma gástrico ulcerado. A inspeção visual endoscópica, embora útil, não possui acurácia de 100% para distinguir lesões benignas de malignas. Portanto, a biópsia de múltiplos fragmentos (geralmente 6 a 8) das bordas da úlcera é mandatória para garantir o diagnóstico histopatológico correto, especialmente em lesões maiores que 2 cm ou com bordas irregulares.

Quais são as características endoscópicas de uma úlcera maligna?

As características que sugerem malignidade incluem bordas elevadas, irregulares ou nodulares, base necrótica ou suja, pregas mucosas que terminam abruptamente antes da borda da úlcera e localização na grande curvatura. No caso clínico, a lesão de 2,5 cm com bordas elevadas e irregulares é altamente suspeita, reforçando a necessidade imediata de biópsia para exclusão de neoplasia gástrica, independentemente do uso prévio de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

Qual o seguimento após a biópsia de uma úlcera gástrica?

Mesmo que a biópsia inicial seja negativa para malignidade, recomenda-se repetir a endoscopia digestiva alta em 6 a 12 semanas após o início do tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP). O objetivo é documentar a cicatrização completa da úlcera. Se a úlcera persistir ou não apresentar redução significativa de tamanho, novas biópsias devem ser realizadas, pois a malignidade pode estar oculta em camadas mais profundas ou não ter sido capturada na amostragem inicial.

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