Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Mulher de 62 anos com dor epigástrica crônica e anemia ferropriva. Endoscopia revela úlcera gástrica em pequena curvatura. Qual o próximo passo na investigação?
Toda úlcera gástrica deve ser biopsiada para excluir malignidade, independente do aspecto visual.
Diferente das úlceras duodenais, as gástricas possuem risco significativo de malignidade oculta, exigindo biópsia sistemática e controle endoscópico após tratamento.
A úlcera gástrica é uma solução de continuidade na mucosa do estômago que ultrapassa a muscular da mucosa. Diferente da úlcera duodenal, a gástrica apresenta uma correlação importante com o câncer gástrico, o que torna a biópsia mandatória em todos os casos diagnosticados por endoscopia digestiva alta (EDA). A anemia ferropriva associada reforça a necessidade de uma investigação minuciosa, pois pode indicar sangramento crônico oculto de uma lesão maligna. O tratamento envolve a erradicação do H. pylori, se presente, e o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP), mas nunca deve retardar a confirmação histopatológica. A falha na cicatrização após o tratamento clínico adequado é outra indicação absoluta de reavaliação para descartar malignidade ou causas raras como linfoma ou Doença de Crohn gástrica.
Úlceras gástricas têm um risco inerente de serem manifestações de adenocarcinoma gástrico precoce ou avançado, enquanto úlceras duodenais são quase universalmente benignas (geralmente associadas a H. pylori ou AINEs). Portanto, o protocolo exige múltiplas biópsias das bordas e do leito da úlcera gástrica para garantir a segurança oncológica do paciente.
Recomenda-se a coleta de pelo menos 6 a 8 fragmentos das bordas da úlcera gástrica. Isso aumenta a sensibilidade para detecção de células neoplásicas, que podem estar distribuídas de forma heterogênea na lesão. O acompanhamento com nova endoscopia em 8-12 semanas também é indicado para confirmar a cicatrização.
Sim, a presença de anemia ferropriva em pacientes acima de 50 anos (ou pós-menopausa) é um sinal de alerta ('red flag') que obriga a investigação do trato gastrointestinal superior e inferior (EDA e Colonoscopia) para descartar neoplasias malignas, mesmo na ausência de sintomas dispépticos exuberantes.
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