Úlcera Gástrica: Abordagem Diagnóstica e Biópsia Essencial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Um homem, com 58 anos de idade, foi atendido em ambulatório de hospital secundário. Relatava dor e queimação epigástrica que aumentava após a ingestão de alimentos, acompanhada de plenitude pós-prandial. Realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou úlcera com 5 mm de diâmetro na parede anterior do antro gástrico, na região pré-pilórica. Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada a ser seguida.

Alternativas

  1. A) Solicitar endoscopia com biópsias seriadas para excluir neoplasia gástrica e pesquisar Helicobacter pylori. 
  2. B) Indicar tratamento operatório pela localização da úlcera e risco de perfuração. 
  3. C) Prescrever inibidor de secreção gástrica por 6 a 8 semanas e solicitar endoscopia com pesquisa de Helicobacter pylori, avaliando a cicatrização. 
  4. D) Prescrever inibidor da secreção gástrica e tratar Helicobacter pylori empiricamente por sua prevalência em ulcerosos, evitando recidiva. 

Pérola Clínica

Úlcera gástrica (especialmente pré-pilórica) → SEMPRE biópsia para excluir malignidade e pesquisar H. pylori.

Resumo-Chave

Toda úlcera gástrica, independentemente do tamanho ou localização, deve ser biopsiada para excluir malignidade, pois a diferenciação macroscópica entre úlcera benigna e maligna é difícil. A pesquisa de H. pylori também é fundamental para o tratamento etiológico.

Contexto Educacional

A úlcera péptica é uma lesão na mucosa do trato gastrointestinal que se estende até a muscular da mucosa. Embora as úlceras duodenais sejam predominantemente benignas, as úlceras gástricas, especialmente em pacientes acima de 40 anos, apresentam um risco significativo de malignidade. A diferenciação macroscópica entre uma úlcera gástrica benigna e uma maligna pode ser desafiadora durante a endoscopia digestiva alta (EDA). Diante de uma úlcera gástrica, a conduta padrão e mais adequada é realizar biópsias seriadas da lesão e de suas bordas para análise histopatológica. Este procedimento é essencial para excluir a presença de neoplasia gástrica. Além disso, a pesquisa de Helicobacter pylori é mandatória, pois a infecção por essa bactéria é a principal causa de úlcera péptica e um fator de risco para câncer gástrico. A erradicação do H. pylori é crucial para a cicatrização da úlcera e prevenção de recidivas. Tratar empiricamente com inibidores de secreção gástrica ou erradicar o H. pylori sem biópsia prévia da úlcera gástrica é um erro grave, pois pode mascarar um câncer gástrico e atrasar seu diagnóstico, comprometendo o prognóstico do paciente. A reavaliação endoscópica com novas biópsias após o tratamento é indicada para confirmar a cicatrização e a benignidade da lesão.

Perguntas Frequentes

Por que toda úlcera gástrica deve ser biopsiada?

Toda úlcera gástrica deve ser biopsiada para excluir malignidade, pois úlceras malignas podem ter aparência macroscópica semelhante às benignas, e o diagnóstico precoce do câncer gástrico é crucial para o prognóstico.

Qual a relação entre Helicobacter pylori e úlcera gástrica?

A infecção por Helicobacter pylori é a principal causa de úlcera péptica, incluindo úlceras gástricas e duodenais, e também um fator de risco importante para câncer gástrico. Sua erradicação é fundamental no tratamento.

Qual a diferença na abordagem diagnóstica entre úlcera gástrica e duodenal?

Úlceras duodenais são quase sempre benignas e raramente requerem biópsia, enquanto úlceras gástricas têm um risco significativo de malignidade e, portanto, a biópsia é obrigatória para todas.

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