Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Mulher de 51 anos com dor em queimação na região epigástrica, que piora em jejum e melhora com alimentação. Qual a hipótese mais provável?
Dor em jejum que melhora com a alimentação → Úlcera Duodenal.
A úlcera duodenal clássica apresenta dor epigástrica rítmica (fome-dor-comer-alívio), pois o alimento tampona o ácido, enquanto na gástrica a dor costuma piorar após comer.
A úlcera duodenal é uma manifestação comum da doença ulcerosa péptica, fortemente associada à infecção por H. pylori e ao uso de AINEs. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre fatores agressivos (ácido e pepsin) e defensivos da mucosa. Clinicamente, a 'dor da fome' é o sintoma cardinal, ocorrendo quando o estômago está vazio e o ácido não é neutralizado. O diagnóstico diferencial com a úlcera gástrica é fundamental, pois esta última exige biópsias repetidas para excluir adenocarcinoma, enquanto a úlcera duodenal raramente é maligna. O tratamento foca na erradicação do H. pylori e na supressão ácida com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP).
A ingestão de alimentos promove o tamponamento temporário do ácido clorídrico no estômago e estimula a secreção de bicarbonato no duodeno. No entanto, 2 a 5 horas após a refeição, o ácido chega ao duodeno sem o efeito tampão do alimento, reiniciando a dor. Esse ciclo é característico da úlcera duodenal, ao contrário da gástrica, onde a alimentação pode exacerbar a dor pela distensão e secreção ácida imediata.
O Helicobacter pylori está presente em mais de 90% dos casos de úlcera duodenal. A bactéria causa inflamação antral, reduzindo a produção de somatostatina pelas células D, o que leva à hipergastrinemia e consequente hipersecreção ácida pelas células parietais, sobrecarregando a mucosa duodenal.
A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é o padrão-ouro. É indicada obrigatoriamente em pacientes com sinais de alarme (perda de peso, anemia, disfagia, vômitos persistentes) ou em pacientes acima de 45-55 anos (dependendo da diretriz) para excluir neoplasia gástrica, embora o risco de malignidade na úlcera duodenal seja quase nulo.
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