USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem de 49 anos, diabético tipo I com mau controle glicêmico com quadro de ulcera em calcâneo direito há 3 meses. Ao exame físico vascular, apresenta hipotrofia em panturrilhas, os pés são quentes, com tempo de enchimento capilar entre 3 a 5 segundos. Os pulsos femorais e poplíteos são palpáveis e simétricos, porém os pulsos mais distais (tibial posterior e pedioso) estão ausentes. Apresenta perda de sensibilidade tipo “bota” em ambas as pernas, simétrico. A ulcera é de aproximadamente 5 cm de diâmetro com superfície necrótica e sem sinais flogísticos. O índice tornozelo- braquial (ITB) é de 1,1, bilateralmente, medida na artéria tibial posterior. Assinale a alternativa correta:
Úlcera diabética: ITB normal (1,1) + pulsos distais ausentes + perda sensibilidade = Úlcera mista neuropática e isquêmica (obstrução infra-poplítea).
Em pacientes diabéticos, um ITB normal (1,0-1,3) não exclui doença arterial periférica, especialmente em casos de calcificação da média (Mönckeberg), comum em diabéticos. A ausência de pulsos distais e a perda de sensibilidade sugerem componente isquêmico e neuropático, respectivamente.
As úlceras no pé diabético representam uma complicação grave e comum do diabetes mellitus, sendo uma das principais causas de amputações não traumáticas. A compreensão de sua fisiopatologia e o diagnóstico correto são cruciais para um manejo eficaz e para evitar desfechos desfavoráveis, sendo um tema de grande relevância clínica e em provas de residência. A maioria das úlceras diabéticas tem um componente misto, envolvendo tanto a neuropatia diabética quanto a doença arterial periférica (DAP). A neuropatia sensitiva leva à perda da sensibilidade protetora, predispondo a traumas repetidos e indolores. A neuropatia motora causa deformidades e pontos de pressão. A neuropatia autonômica contribui para a pele seca e fissurada. A DAP, por sua vez, compromete a circulação, dificultando a cicatrização. Em diabéticos, a DAP frequentemente afeta os vasos infra-poplíteos e pode cursar com calcificação da média das artérias, o que pode levar a um Índice Tornozelo-Braquial (ITB) falsamente normal ou elevado, mesmo na presença de isquemia significativa. Portanto, a avaliação clínica completa, incluindo palpação de pulsos e tempo de enchimento capilar, é indispensável, mesmo com ITB aparentemente normal.
Em diabéticos, um ITB normal (1,0-1,3) não exclui doença arterial periférica devido à calcificação da média das artérias (arteriosclerose de Mönckeberg), que as torna incompressíveis e pode falsear o ITB. Valores < 0,9 indicam isquemia, mas a avaliação clínica é crucial.
Sinais de componente neuropático incluem perda de sensibilidade protetora (tipo "bota" ou "em luva"), deformidades ósseas, pele seca e fissurada, e pulsos periféricos geralmente palpáveis (se não houver isquemia associada). A úlcera costuma ser indolor.
Achados que sugerem isquemia incluem pulsos distais ausentes ou diminuídos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pele fria, hipotrofia de panturrilhas, e dor em repouso. Em diabéticos, a doença arterial periférica frequentemente afeta vasos infra-poplíteos.
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