Hemorragia Digestiva em Queimados Graves: Diagnóstico e Manejo

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 45 anos de idade, sem comorbidades prévias, internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por queimadura extensa (50% da superfície corpórea queimada) Encontra-se intubada, sob ventilação mecânica em traqueostomia, Evoluiu com um episódio de enterorragia franca em grande quantidade. Ao exame clínico, encontra-se em regular estado geral, sedada, Rass -3, descorada 2+/4+, desidratada +/4+. Apresenta pressão arterial 90x50mmHg, frequência cardíaca 120bpm, em uso de noradrenalina 10mL/h. Exame abdominal sem alterações e toque retal com presença de sangue vivo, sem lesões tocáveis, sem doença orificial. Os exames laboratoriais evidenciaram hemoglobina 8.5g/dL (VR 11,5 - 11,9g/dL), restante normal. O procedimento indicado para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) Passagem de balão de Sangstaken-Blakemore
  2. B) Endoscopia digestiva alta
  3. C) Arteriografia
  4. D) Colonoscopia

Pérola Clínica

Enterorragia em queimado grave → suspeitar úlcera de Curling (HDA), EDA é o procedimento inicial.

Resumo-Chave

Pacientes com queimaduras extensas em UTI têm alto risco de desenvolver úlceras de estresse (úlceras de Curling), que podem causar hemorragia digestiva alta grave. Diante de enterorragia franca e instabilidade hemodinâmica nesse contexto, a endoscopia digestiva alta é o procedimento de escolha para diagnóstico e tratamento.

Contexto Educacional

Pacientes com queimaduras extensas representam um grupo de alto risco para diversas complicações, incluindo a hemorragia digestiva. A úlcera de Curling, uma forma de úlcera de estresse, é uma complicação bem conhecida nesses pacientes, resultante da resposta inflamatória sistêmica e da hipoperfusão esplâncnica. A manifestação clínica pode variar de sangramento oculto a hemorragia franca e maciça, como a enterorragia descrita na questão, levando a choque hipovolêmico. A instabilidade hemodinâmica, taquicardia e queda da hemoglobina são indicativos de sangramento ativo e significativo. Diante de um quadro de hemorragia digestiva em um paciente queimado grave, a endoscopia digestiva alta (EDA) é o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha. Ela permite a visualização direta da mucosa, identificação da lesão (úlcera, erosão) e aplicação de métodos hemostáticos, como injeção de adrenalina, clipagem ou coagulação, sendo fundamental para o manejo eficaz e a estabilização do paciente.

Perguntas Frequentes

O que são as úlceras de Curling e por que ocorrem em pacientes queimados?

Úlceras de Curling são úlceras de estresse agudas que se desenvolvem no trato gastrointestinal superior de pacientes com queimaduras graves, devido à isquemia da mucosa gástrica/duodenal causada pela hipovolemia e liberação de mediadores inflamatórios.

Quais são os sinais de hemorragia digestiva alta em pacientes críticos?

Sinais incluem hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes escuras e pegajosas) ou, em casos de sangramento maciço, enterorragia (sangue vivo nas fezes) com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia).

Qual o papel da endoscopia digestiva alta no manejo da hemorragia em queimados?

A endoscopia digestiva alta é crucial para identificar a fonte do sangramento (como úlceras de Curling), avaliar sua gravidade e permitir intervenções terapêuticas endoscópicas para controlar a hemorragia.

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