HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024
Homem de 45 anos de idade procura o pronto-socorro por episódio de melena há um dia. Refere episódios de pirose e regurgitação ácida há seis meses, em uso irregular de antiácidos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, descorado 1+/4+, índice de massa corpórea (IMC) de 32kg/m², estável hemodinamicamente. Abdome globoso, flácido e indolor. Toque retal com melena, sem lesões tocáveis. Os exames laboratoriais revelam hemoglobina de 10,2g/dL (VR: 13 - 18g/dL), sem outras alterações. Realizou endoscopia digestiva alta, mostrada a seguir: Em relação ao caso clínico e ao exame endoscópico, o diagnóstico apresentado pelo paciente é:
Úlcera de Cameron = erosão linear em hérnia de hiato → causa comum de sangramento digestivo oculto ou franco.
A úlcera de Cameron é uma causa de sangramento gastrointestinal, frequentemente associada a hérnias de hiato grandes. Pode se manifestar com melena ou anemia ferropriva crônica, sendo um diagnóstico endoscópico importante em pacientes com sintomas dispépticos e sangramento.
A úlcera de Cameron é uma lesão erosiva ou ulcerada que ocorre na mucosa gástrica herniada através do hiato esofágico. É uma causa subestimada de hemorragia digestiva alta (HDA) e anemia ferropriva crônica, especialmente em pacientes idosos com hérnias de hiato grandes. Sua prevalência é significativa em pacientes submetidos à endoscopia por HDA. A fisiopatologia envolve trauma mecânico da mucosa gástrica contra o diafragma, isquemia local e refluxo ácido. O diagnóstico é exclusivamente endoscópico, onde se observam úlceras lineares ou múltiplas erosões na prega gástrica dentro da hérnia. A suspeita clínica deve surgir em pacientes com HDA ou anemia inexplicada e história de hérnia de hiato. O tratamento inicial consiste em supressão ácida com inibidores da bomba de prótons (IBP) e, se necessário, hemostasia endoscópica para sangramento ativo. Em casos de sangramento recorrente ou anemia refratária, a correção cirúrgica da hérnia de hiato pode ser indicada para prevenir novas lesões e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Pacientes com úlcera de Cameron podem apresentar melena, hematêmese, ou anemia ferropriva crônica, muitas vezes associados a sintomas de refluxo gastroesofágico devido à hérnia de hiato.
O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta, que revela erosões lineares ou úlceras na mucosa da hérnia de hiato, geralmente no diafragma.
O tratamento inicial envolve inibidores da bomba de prótons (IBP) e, se houver sangramento ativo, hemostasia endoscópica. Em casos refratários, a correção cirúrgica da hérnia pode ser considerada.
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