Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
O fenômeno conhecido como “uberização das relações de trabalho”, por meio da qual há uma utilização da mão de obra, por parte de poucas e grandes empresas que concentram o mercado mundial dos aplicativos e das plataformas digitais, vem sofrendo críticas por parte de diversos segmentos sociais. Algumas delas se referem à:
Uberização → riscos físicos e ausência de seguridade social, impactando saúde do trabalhador.
A uberização das relações de trabalho expõe os trabalhadores a riscos físicos e psicossociais, além de frequentemente privá-los da cobertura da Previdência Social, resultando em vulnerabilidade e impactos negativos na saúde e bem-estar.
A "uberização" das relações de trabalho refere-se à utilização de mão de obra por meio de plataformas digitais, caracterizada pela flexibilidade, autonomia aparente e ausência de vínculo empregatício formal. Embora ofereça certa liberdade, essa modalidade tem sido criticada por expor os trabalhadores a diversos riscos e pela precarização das condições de trabalho, com implicações significativas para a saúde pública e ocupacional. Do ponto de vista da saúde ocupacional, os trabalhadores uberizados enfrentam riscos físicos, como acidentes de trânsito para motoristas e entregadores, e riscos psicossociais, como estresse, ansiedade e burnout, decorrentes da pressão por desempenho, instabilidade de renda e falta de suporte. A ausência de vínculo empregatício formal frequentemente resulta na falta de acesso a direitos trabalhistas básicos, como férias remuneradas, 13º salário, e, crucialmente, a ausência de cobertura pela Previdência Social em muitos casos. Essa lacuna na seguridade social significa que, em caso de doença, acidente ou aposentadoria, esses trabalhadores podem ficar desamparados, sem auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou pensão. Para residentes e profissionais de saúde, é fundamental compreender esses impactos para uma abordagem integral da saúde do trabalhador, reconhecendo as vulnerabilidades e buscando estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças nesse novo contexto laboral.
Os riscos incluem acidentes de trânsito para entregadores e motoristas, estresse psicossocial devido à pressão por produtividade e instabilidade financeira, e doenças musculoesqueléticas por posturas inadequadas ou esforço repetitivo.
Muitos trabalhadores uberizados são classificados como autônomos ou microempreendedores individuais, o que pode resultar na ausência de contribuições regulares à Previdência Social, privando-os de benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e pensão por morte.
A uberização pode sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao aumento de acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao estresse, além de criar uma população mais vulnerável social e economicamente, com impacto na saúde coletiva.
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