PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
P.C.F., 58 anos, sexo feminino, engenheira, relata empachamento pós-prandial desde há cerca de um mês, que foi se intensificando a ponto de conseguir ingerir somente uma quantidade muito pequena de alimentos. Apresentou emagrecimento de cerca de 5kg com a moléstia atual. Ao exame físico, foi palpada massa no epigástrio e quadrante superior esquerdo. Realizou tomografia de abdome, onde foi vista tumoração sólida retroperitoneal de formato ovoide, com cerca de 18cm de diâmetro, heterogênea, com aspecto sugestivo de conter gordura macroscópica em seu interior, comprimindo e desviando o estômago cranialmente e anteriormente, e deslocando o cólon transverso caudalmente e o rim, anteriormente. Não há evidências radiológicas de invasão local ou metástase à distância. Em relação a este caso, assinale a alternativa ERRADA:
Massa retroperitoneal > 5cm com gordura → Lipossarcoma (maligno).
Tumores retroperitoneais primários são raros e, ao contrário do que se possa pensar, a maioria é maligna, sendo o lipossarcoma o tipo mais comum. A biópsia percutânea é geralmente desaconselhada devido ao risco de disseminação e dificuldade de amostragem adequada.
Tumores retroperitoneais primários são uma entidade rara, mas clinicamente desafiadora, dada a sua localização profunda e a tendência a atingir grandes volumes antes de se tornarem sintomáticos. A apresentação clínica é frequentemente inespecífica, com sintomas como dor abdominal, empachamento, perda de peso e massa palpável, como no caso descrito. A maioria desses tumores, ao contrário do que se poderia intuir, é maligna, com o lipossarcoma sendo o tipo histológico mais prevalente, seguido por leiomiossarcomas e tumores estromais gastrointestinais (GIST) extra-gastrointestinais. O diagnóstico por imagem, como a tomografia de abdome, é fundamental para caracterizar a lesão, avaliar seu tamanho, localização, relação com estruturas adjacentes e a presença de metástases. A presença de gordura macroscópica em uma massa retroperitoneal é altamente sugestiva de lipossarcoma. A biópsia percutânea, embora útil em outras situações, é geralmente desaconselhada para tumores retroperitoneais primários devido ao risco de disseminação tumoral, dificuldade em obter amostras representativas de tumores heterogêneos e potencial de complicação, podendo comprometer a ressecção cirúrgica curativa. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica completa com margens livres, sempre que possível, pois é o principal fator prognóstico. A via de acesso, como a laparotomia mediana, deve ser ampla para permitir uma exploração adequada e a remoção completa da massa. A quimioterapia e a radioterapia podem ter um papel adjuvante em casos selecionados, mas a cirurgia permanece a pedra angular do tratamento.
A maioria dos tumores retroperitoneais primários é maligna, sendo o lipossarcoma o tipo histológico mais comum, seguido por leiomiossarcomas.
A biópsia percutânea pode levar à disseminação de células tumorais, dificultar a ressecção completa e, muitas vezes, não fornece material suficiente para um diagnóstico histopatológico preciso, especialmente em tumores heterogêneos.
A excisão cirúrgica completa com margens livres é o tratamento de escolha para a maioria dos tumores retroperitoneais, especialmente os malignos, visando a cura e a prevenção de recidivas.
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