CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Assinale a alternativa correta quanto aos tumores primários do saco lacrimal:
Massa em saco lacrimal + Dacriocistite atípica → Suspeite de neoplasia maligna.
Tumores do saco lacrimal são raros e frequentemente mimetizam dacriocistites; a presença de massa acima do tendão cantal medial é um sinal de alerta crítico.
Os tumores do saco lacrimal representam um desafio diagnóstico devido à sua raridade e apresentação clínica insidiosa. A maioria das lesões é maligna, sendo o carcinoma espinocelular o tipo mais comum. Clinicamente, a palpação de uma massa endurecida que não reduz à expressão é um sinal patognomônico de neoplasia. O estadiamento envolve exames de imagem como Tomografia Computadorizada (TC) para avaliar erosão óssea e Ressonância Magnética (RM) para extensão em tecidos moles e órbita. O prognóstico depende do tipo histológico e da detecção precoce, reforçando a necessidade de biópsia em casos de dacriocistites recorrentes ou atípicas.
Diferente de outros tecidos orbitários, a grande maioria (cerca de 70-80%) dos tumores primários do saco lacrimal é de origem epitelial, não mesenquimal. Entre estes, os papilomas (que podem ser exofíticos, endofíticos ou mistos) e os carcinomas (especialmente o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de células transicionais) são os mais prevalentes.
Os tumores do saco lacrimal inicialmente causam obstrução mecânica da via lacrimal, levando a sintomas idênticos aos da dacriocistite crônica: epífora (lacrimejamento), secreção purulenta e abaulamento na região do saco lacrimal. O médico deve suspeitar de tumor se a massa for indolor, firme, se estender acima do tendão cantal medial ou se houver dacriocistite sanguinolenta.
O tratamento primário é quase sempre a exérese cirúrgica completa com margens livres. A radioterapia e a quimioterapia são geralmente reservadas como terapias adjuvantes para casos de invasão óssea, margens comprometidas ou tipos histológicos altamente agressivos. A simples dacriocistorrinostomia (DCR) é contraindicada se houver suspeita de tumor, pelo risco de disseminação neoplásica.
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