UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menina, 11 anos de idade, chega ao PS com dor abdominal progressiva há 3 semanas. Exame físico: bom estado geral, com tumor de consistência endurecida, palpável na região do hipogástrio. Ultrassom da região pélvica: tumor sólido no ovário esquerdo. Qual é o marcador laboratorial que se espera encontrar positivo na investigação desta adolescente?
Massa anexial sólida + ↑ Alfa-fetoproteína em adolescentes → Tumor do seio endodérmico (Saco vitelino).
Tumores de células germinativas são as neoplasias ovarianas mais comuns em crianças e adolescentes, frequentemente cursando com marcadores como AFP e Beta-HCG.
A abordagem de massas anexiais na infância e adolescência difere significativamente da propedêutica em adultos. Enquanto cistos funcionais são comuns, a presença de uma massa sólida e endurecida em hipogástrio levanta forte suspeita de malignidade, especificamente tumores de células germinativas. A dosagem de marcadores como AFP, Beta-HCG, LDH e CA-125 é mandatória no pré-operatório para planejamento cirúrgico e seguimento. O tumor do seio endodérmico é particularmente agressivo, mas altamente responsivo à quimioterapia. A preservação da fertilidade é um pilar central no tratamento dessas pacientes, optando-se, sempre que possível, pela salpingo-oforectomia unilateral.
Os tumores de células germinativas representam cerca de 60-70% das neoplasias ovarianas em crianças e adolescentes. Os principais tipos incluem o teratoma (maduro e imaturo), disgerminoma, tumor do seio endodérmico (saco vitelino) e coriocarcinoma. Diferente das adultas, onde os tumores epiteliais predominam, na faixa pediátrica a origem germinativa é a regra, exigindo rastreio com marcadores séricos específicos antes da intervenção cirúrgica.
Deve-se suspeitar deste tumor em adolescentes com massa pélvica de crescimento rápido, dor abdominal e níveis séricos elevados de alfa-fetoproteína (AFP). É o segundo tumor de células germinativas maligno mais comum. Histologicamente, caracteriza-se pelos corpúsculos de Schiller-Duval. O tratamento geralmente envolve cirurgia preservadora de fertilidade seguida de quimioterapia baseada em platina (protocolo BEP).
Sim, o Beta-HCG é um marcador clássico do coriocarcinoma não gestacional do ovário e também pode estar levemente elevado em alguns disgerminomas (quando contêm células do sinciciotrofoblasto). A presença de Beta-HCG em uma adolescente com massa anexial exige a exclusão de gravidez ectópica, mas no contexto de massa sólida e marcadores negativos para gestação, direciona para linhagem germinativa maligna.
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