Tumores de Células Germinativas Ovarianos: Diagnóstico e Marcadores

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 22 anos apresenta aumento progressivo do volume abdominal associado à dor em peso no baixo ventre e irregularidade nmenstrual há 04 meses. AP: G0P0. Exame físico: IMC 28 Kg/m², massa endurecida palpável em baixo ventre 2 cm acima da cicatriz umbilical com mobilidade reduzida. US pélvica: massa expansiva heterogênea solidocística em região anexial direita, com fluxo anárquico ao color doppler e moderada quantidade de líquido livre na cavidade. A hipótese diagnóstica e os marcadores necessários para avaliação são:

Alternativas

  1. A) tumor maligno de células germinativas; β-hCG e α-feto proteína.
  2. B) tumor maligno epitelial; DHL e CEA.
  3. C) teratoma ovariano maduro; 17- β estradiol e inibina.
  4. D) Struma ovarii; TSH e T4 livre.

Pérola Clínica

Massa anexial solidocística em jovem com fluxo anárquico e ascite → suspeitar tumor de células germinativas → pedir β-hCG e α-fetoproteína.

Resumo-Chave

Em mulheres jovens com massa anexial complexa, especialmente com características de malignidade como fluxo anárquico ao Doppler e ascite, os tumores de células germinativas devem ser a principal hipótese. Os marcadores tumorais β-hCG e α-fetoproteína são essenciais para o diagnóstico e acompanhamento desses tumores.

Contexto Educacional

Os tumores de células germinativas do ovário representam uma parcela significativa das neoplasias ovarianas em mulheres jovens e adolescentes, sendo cruciais para o diagnóstico diferencial de massas anexiais nessa faixa etária. Diferentemente dos tumores epiteliais, que são mais comuns em mulheres pós-menopausa, os tumores germinativos frequentemente se manifestam com crescimento rápido, dor abdominal, aumento do volume abdominal e, em alguns casos, sintomas endócrinos devido à produção hormonal. A importância clínica reside na sua potencial malignidade e na necessidade de um diagnóstico preciso para o planejamento terapêutico adequado. A fisiopatologia desses tumores está ligada à diferenciação anormal das células germinativas primordiais. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, exames de imagem (ultrassonografia com Doppler, tomografia ou ressonância magnética) e marcadores tumorais séricos. A ultrassonografia pode revelar massas sólido-císticas, heterogêneas, com áreas de necrose ou hemorragia, e o Doppler colorido frequentemente mostra fluxo anárquico, indicativo de neovascularização. A elevação de marcadores como β-hCG (coriocarcinoma, alguns disgerminomas) e α-fetoproteína (tumor do saco vitelino, teratoma imaturo) é altamente sugestiva e orienta o diagnóstico. O tratamento primário para tumores malignos de células germinativas é cirúrgico, geralmente seguido por quimioterapia adjuvante, dependendo do tipo histológico e do estágio da doença. O prognóstico é geralmente bom, mesmo em estágios avançados, devido à alta sensibilidade à quimioterapia. Para residentes, é fundamental reconhecer o perfil epidemiológico, as características de imagem e a importância dos marcadores tumorais para um manejo eficaz e a preservação da fertilidade, quando possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de tumores malignos de células germinativas do ovário?

Os principais tipos incluem disgerminoma, tumor do saco vitelino (endodérmico), coriocarcinoma, teratoma imaturo e carcinoma embrionário. Cada um pode ter marcadores tumorais específicos.

Quando solicitar β-hCG e α-fetoproteína em uma massa anexial?

Esses marcadores devem ser solicitados em mulheres jovens com massas anexiais complexas, especialmente se houver características de malignidade na imagem (componente sólido, septações espessas, fluxo anárquico, ascite), pois são elevados em tumores como coriocarcinoma (β-hCG) e tumor do saco vitelino (α-fetoproteína).

Quais características ultrassonográficas sugerem malignidade em uma massa anexial?

Características que sugerem malignidade incluem componente sólido predominante, septações espessas (>3mm), vegetações internas, presença de ascite, tamanho >10 cm, e fluxo sanguíneo anárquico ou de alta velocidade e baixa resistência ao Doppler colorido.

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