UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Assinale a assertiva incorreta sobre tumores carcinoides do intestino delgado.
Tumores carcinoides de intestino delgado, mesmo pequenos (<2cm), têm alto potencial metastático para linfonodos e fígado.
Os tumores carcinoides do intestino delgado são neuroendócrinos com comportamento biológico agressivo, mesmo em tamanhos pequenos. Diferentemente de outros tumores carcinoides, eles frequentemente metastatizam para linfonodos regionais e fígado, o que é um fator crucial para o prognóstico e manejo, e a síndrome carcinoide geralmente se manifesta com metástases hepáticas.
Os tumores carcinoides do intestino delgado são neoplasias neuroendócrinas que, apesar de sua raridade, são de grande importância clínica devido ao seu comportamento biológico peculiar. Eles se originam das células enterocromafins e são mais comumente encontrados no íleo distal, frequentemente sendo multifocais. A compreensão de suas características é vital para o diagnóstico e manejo adequados. Uma das características mais marcantes desses tumores é o seu potencial metastático. Contrariamente à crença de que tumores pequenos são benignos, os carcinoides de intestino delgado, mesmo com menos de 2 cm de diâmetro, podem apresentar metástases para linfonodos regionais e, mais preocupante, para o fígado. Essa propensão à metástase precoce é um fator prognóstico crucial e orienta a necessidade de ressecção cirúrgica agressiva e estadiamento rigoroso. A síndrome carcinoide, uma manifestação paraneoplásica, ocorre quando as substâncias vasoativas produzidas pelo tumor (como serotonina, bradicinina) escapam do metabolismo hepático de primeira passagem e atingem a circulação sistêmica. Isso geralmente acontece na presença de metástases hepáticas extensas. O diagnóstico e o acompanhamento desses pacientes envolvem marcadores bioquímicos (ex: cromogranina A, ácido 5-hidroxiindolacético urinário) e exames de imagem avançados, como a PET-CT com gálio-68, que oferece alta sensibilidade na detecção de doença metastática. O tratamento pode incluir cirurgia, análogos da somatostatina (para controle hormonal e tumoral) e terapias direcionadas, sendo o uso profilático de análogos da somatostatina fundamental para prevenir crises carcinoides durante procedimentos cirúrgicos.
A principal característica é o alto potencial metastático, mesmo para tumores de pequeno tamanho (<2 cm), especialmente para linfonodos regionais e fígado. Isso os distingue de carcinoides gástricos ou retais, onde o tamanho é um preditor mais forte de metástase.
A síndrome carcinoide, caracterizada por rubor, diarreia e broncoespasmo, ocorre majoritariamente em pacientes com metástases hepáticas. Isso acontece porque o fígado, que normalmente metabolizaria as substâncias vasoativas produzidas pelo tumor, é invadido, permitindo que essas substâncias atinjam a circulação sistêmica.
A PET-CT com gálio-68 (Ga-68 DOTATATE) tem sensibilidade superior à cintilografia com análogo da somatostatina (Octreoscan) na detecção de doença metastática, especialmente em sítios extra-hepáticos. Ela é crucial para o estadiamento preciso e para guiar o tratamento de tumores neuroendócrinos.
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