Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Criança de 7 anos apresenta massa abdominal palpável em flanco direito, hematúria microscópica e hipertensão arterial. Ultrassonografia: lesão sólida renal. Qual é a hipótese mais provável?
Massa abdominal palpável + Hematúria + Hipertensão em criança = Tumor de Wilms (Nefroblastoma).
O Tumor de Wilms é a neoplasia renal primária mais comum da infância; a hipertensão ocorre pela ativação do sistema renina-angiotensina devido à isquemia renal compressiva.
O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, deriva de remanescentes nefrogênicos embrionários e representa cerca de 95% de todos os tumores renais em crianças abaixo de 15 anos, com pico de incidência entre 2 e 5 anos. Geneticamente, está associado a mutações no gene WT1 (cromossomo 11p13) e pode fazer parte de síndromes como WAGR (Wilms, Aniridia, Geniturinário, Retardo), Denys-Drash e Beckwith-Wiedemann. O prognóstico é excelente com o tratamento multimodal moderno, que inclui cirurgia (nefrectomia radical) e quimioterapia (vincristina, actinomicina D), com taxas de sobrevida global superiores a 90% para doença localizada. A hipertensão arterial associada costuma regredir após a remoção cirúrgica do tumor, mas requer manejo cuidadoso no pré-operatório para evitar complicações cardiovasculares.
A apresentação mais comum é uma massa abdominal assintomática, firme e lisa, que raramente cruza a linha média, descoberta acidentalmente pelos pais ou em exames de rotina. Sintomas associados incluem dor abdominal (30%), hematúria macro ou microscópica (25%) e hipertensão arterial (25-60%), esta última causada pela compressão da artéria renal ou produção de renina pelo tumor.
O Tumor de Wilms é intra-renal, costuma ser uma massa lisa que não cruza a linha média e a criança geralmente parece saudável. O Neuroblastoma é extra-renal (frequentemente suprarrenal), tem bordas irregulares, frequentemente cruza a linha média, pode apresentar calcificações ao raio-X e a criança costuma apresentar sinais de doença sistêmica (febre, perda de peso) ou metástases (equimoses periorbitais).
O primeiro passo é a realização de exames de imagem, geralmente ultrassonografia abdominal seguida de tomografia computadorizada ou ressonância magnética para estadiamento. É crucial evitar a palpação vigorosa do abdome para prevenir a ruptura da cápsula tumoral e o consequente extravasamento de células neoplásicas para a cavidade peritoneal (upstaging).
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