FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menino, 4 anos, é trazido ao ambulatório para investigação de aumento do volume abdominal percebido pela mãe durante o banho. Refere ainda que a criança apresentou um episódio de hematúria, recentemente. Ao exame físico, percebe-se a presença de uma massa abdominal palpável ocupando todo o flanco esquerdo. O ultrassom de abdome revelou tratar-se de uma grande massa que se origina no rim esquerdo. A respeita dessa entidade, assinale a alternativa correta.
Tumor de Wilms: massa abdominal + hematúria em criança, associado a síndromes genéticas (WAGR, Beckwith-Wiedemann, Denis-Drash).
O Tumor de Wilms (nefroblastoma) é o tumor renal mais comum na infância, manifestando-se como massa abdominal palpável e, por vezes, hematúria. Sua forte associação com síndromes genéticas específicas é um ponto chave para o diagnóstico e manejo.
O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é o tumor renal maligno mais comum na infância, geralmente diagnosticado entre 2 e 5 anos de idade. Ele se apresenta tipicamente como uma massa abdominal palpável, indolor e de crescimento rápido, que pode ser percebida pelos pais durante o banho ou troca de fraldas. Outros sintomas incluem dor abdominal, febre, hipertensão arterial e, em alguns casos, hematúria macroscópica ou microscópica. A fisiopatologia envolve mutações genéticas, sendo o gene WT1 no cromossomo 11 um dos mais estudados. A correlação com síndromes genéticas é um aspecto fundamental: a Síndrome WAGR (Wilms tumor, Aniridia, Genitourinary anomalies, intellectual disability), a Síndrome de Beckwith-Wiedemann (gigantismo, macroglossia, onfalocele) e a Síndrome de Denis-Drash (pseudo-hermafroditismo, nefropatia) são as mais notáveis. O diagnóstico é feito por exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética de abdome) e estadiamento. O tratamento do Tumor de Wilms é multimodal, envolvendo cirurgia (nefrectomia radical, com ou sem linfadenectomia), quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. A sobrevida global é alta, ultrapassando 90% em estágios iniciais, graças aos avanços no tratamento. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de recorrência e efeitos tardios da terapia.
Os sinais mais comuns são massa abdominal palpável, aumento do volume abdominal, dor abdominal, febre, hipertensão e, ocasionalmente, hematúria macroscópica ou microscópica.
O Tumor de Wilms está associado a síndromes como WAGR (tumor de Wilms, aniridia, malformações geniturinárias, retardo mental), Beckwith-Wiedemann (gigantismo, macroglossia, onfalocele) e Denis-Drash (pseudo-hermafroditismo, nefropatia).
O diagnóstico é suspeitado pela clínica e exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética de abdome), e confirmado por biópsia ou após a ressecção cirúrgica.
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