HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Pré-escolar de dois anos e quatro meses, sexo feminino, é levado ao pediatra por ter apresentado sangue na urina. Mãe relata um episódio de infecção urinária corretamente tratado há seis meses e eventual constipação intestinal. Exame físico: sinais vitais normais. Abdome: levemente distendido, discreta flatulência, peristalse normal e presença de pequena tumoração palpável em quadrante superior direito, EAS: positivo para proteínas e sangue. O quadro sugere:
Pré-escolar com massa abdominal palpável + hematúria/proteinúria → suspeitar de Tumor de Wilms.
O Tumor de Wilms (nefroblastoma) é o tumor renal mais comum na infância, tipicamente afetando crianças pré-escolares. A apresentação clássica inclui massa abdominal palpável, frequentemente assintomática, mas pode cursar com hematúria, dor abdominal, hipertensão e febre. A associação com infecção urinária prévia e constipação pode ser coincidente ou mascarar o quadro.
O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é o tumor renal mais comum na infância, representando cerca de 6% de todos os cânceres pediátricos. Acomete principalmente crianças entre 2 e 5 anos de idade, com pico de incidência aos 3 anos. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e síndromes de predisposição. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para um prognóstico favorável, que é excelente quando tratado adequadamente. A apresentação clínica clássica é uma massa abdominal palpável, geralmente unilateral, firme, lisa e não dolorosa, que não costuma cruzar a linha média (diferente do neuroblastoma). Outros sintomas podem incluir hematúria macro ou microscópica, dor abdominal, hipertensão arterial (devido à compressão da artéria renal ou secreção de renina), febre e, em casos avançados, perda de peso e anemia. A história de infecção urinária ou constipação pode ser um achado incidental ou um fator que atrasa a investigação da massa. O diagnóstico é estabelecido por exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, que é o método inicial, seguido por tomografia computadorizada ou ressonância magnética para estadiamento local e avaliação de metástases. O tratamento envolve nefrectomia radical, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, dependendo do estadiamento. É crucial evitar a palpação vigorosa da massa abdominal após a suspeita para minimizar o risco de ruptura tumoral e disseminação.
Os principais sinais de alerta incluem massa abdominal palpável (geralmente firme e lisa), hematúria (sangue na urina), dor abdominal, hipertensão arterial, febre e, ocasionalmente, anemia.
O diagnóstico é feito pela combinação de exame físico (massa abdominal), exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome, e biópsia ou nefrectomia para confirmação histopatológica.
O principal diferencial de massa abdominal em crianças pequenas inclui hidronefrose, cistos renais, neuroblastoma (que geralmente cruza a linha média e é mais irregular), e outras massas benignas ou malignas.
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