Tumor de Wilms: Achados Radiológicos e Diagnóstico Diferencial

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Durante avaliação de uma criança de 4 anos com massa abdominal palpável, suspeita-se de tumor de Wilms. No que se refere aos achados específicos nos exames de imagem que caracterizam este tumor e suas peculiaridades diagnósticas, assinale a alternativa que apresenta corretamente o padrão radiológico típico:

Alternativas

  1. A) Massa renal sólido-cística com realce heterogêneo na tomografia, calcificações grosseiras centrais, invasão do sistema coletor, trombo tumoral na veia renal esquerda e linfonodomegalia retroperitoneal com centro necrótico.
  2. B) Massa renal bem delimitada com realce precoce e persistente após contraste, componente gorduroso intratumoral, pseudocápsula completa, invasão da adrenal ipsilateral e metástases pulmonares nodulares múltiplas.
  3. C) Massa renal intrarenal sólida com origem no seio renal, realce homogêneo intenso, calcificações puntiformes dispersas, extensão para veia cava inferior e nódulos pulmonares do tipo "cannon ball".
  4. D) Massa renal heterogênea com origem cortical, "claw sign" presente, realce heterogêneo após contraste, pseudocápsula incompleta, áreas hemorrágicas intralesionais e metástases pulmonares tipo em "subesboço".
  5. E) Massa renal endofítica com áreas necróticas centrais, realce periférico em anel, ruptura capsular focal, invasão do hilo renal e metástases hepáticas com padrão em "alvo".

Pérola Clínica

Massa renal cortical + Claw Sign + heterogeneidade + metástase pulmonar = Tumor de Wilms.

Resumo-Chave

O Tumor de Wilms é a neoplasia renal mais comum na infância, caracterizando-se por uma massa intrarenal que preserva o parênquima em forma de 'garfo' (claw sign) e apresenta realce heterogêneo.

Contexto Educacional

O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, deriva de remanescentes nefrogênicos e é o tumor renal primário mais frequente em crianças, com pico de incidência entre 2 e 5 anos. O diagnóstico é predominantemente clínico-radiológico, com a massa abdominal palpável sendo o sinal mais comum. A diferenciação entre Wilms e Neuroblastoma é um tema clássico em provas de residência. Enquanto o Wilms é uma massa intrarenal, lisa e que raramente cruza a linha média, o Neuroblastoma é extrarenal (adrenal), irregular, frequentemente calcificado e costuma envolver a aorta e a veia cava. O tratamento envolve nefrectomia e quimioterapia, com excelentes taxas de cura se diagnosticado precocemente.

Perguntas Frequentes

O que é o 'claw sign' ou sinal do garfo no Tumor de Wilms?

O 'claw sign' (sinal do garfo ou da garra) é um achado radiológico fundamental para determinar a origem de uma massa abdominal. Ele ocorre quando o parênquima renal normal é 'esticado' e comprimido pela massa tumoral que se origina do próprio córtex renal, criando uma aparência de garras envolvendo o tumor. Isso confirma que a massa é intrarenal (como o Tumor de Wilms), ajudando a diferenciá-la de massas extrarenais que apenas comprimem o rim, como o neuroblastoma.

Quais as características do Tumor de Wilms na Tomografia?

Na tomografia computadorizada (TC) com contraste, o Tumor de Wilms geralmente aparece como uma massa volumosa, de origem cortical, com realce heterogêneo. Frequentemente apresenta áreas de baixa atenuação que correspondem a necrose ou hemorragia interna. Diferente do neuroblastoma, as calcificações são menos comuns (cerca de 10-15%). O tumor tende a deslocar as estruturas adjacentes e os grandes vasos, em vez de envolvê-los, e pode apresentar uma pseudocápsula incompleta.

Como o Tumor de Wilms se dissemina?

A disseminação do Tumor de Wilms pode ocorrer por extensão direta, via linfática para linfonodos hilares e retroperitoneais, ou via hematogênica. O local mais comum de metástase hematogênica são os pulmões (frequentemente descritas como nódulos em 'subesboço' ou 'cannon ball' em casos avançados), seguidos pelo fígado. Uma característica importante é a propensão para invasão da veia renal e veia cava inferior, podendo formar trombos tumorais intracavitários.

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