São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2023
Paciente feminina, 4 anos de idade, é trazida pela mãe após episódio de hematúria há 1 dia. Nega febre. Nega disúria, polaciúria ou alteração de odor urinário. Nega trauma presenciado. Nega sintomas gastrointestinais. Sem outras queixas. Ao exame físico: bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, anictérica, acianótica, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Genitália sem sinais de virilização. Abdome flácido, indolor, sem massas palpáveis, sem sinais de irritação peritoneal. Exame urinário evidenciou hematúria importante, leucocitúria discreta, com bacterioscopia e urocultura negativa. Foi realizado a tomografia abdominal abaixo.A principal hipótese diagnóstica é:
Criança < 5 anos com hematúria + massa abdominal (TC) + ausência de ITU → alta suspeita de Tumor de Wilms.
O Tumor de Wilms é a neoplasia renal mais comum na infância, tipicamente apresentando-se como massa abdominal assintomática, mas pode cursar com hematúria. A idade da paciente (4 anos) e a ausência de sinais de infecção urinária reforçam essa hipótese.
O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é a neoplasia renal mais comum na infância, representando cerca de 6% de todos os cânceres pediátricos. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para um tratamento eficaz, que geralmente envolve cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. A apresentação clínica clássica é uma massa abdominal palpável e assintomática, mas outros sintomas podem levar à investigação. A fisiopatologia do Tumor de Wilms está associada a mutações genéticas, como no gene WT1, que desempenha um papel crucial no desenvolvimento renal. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história clínica e exame físico, e confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia é o método inicial, seguida pela tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) do abdome e tórax para estadiamento, avaliando a extensão do tumor e a presença de metástases. A hematúria, como no caso da questão, embora menos comum que a massa, é um sinal de alerta importante. O tratamento do Tumor de Wilms é multidisciplinar e tem altas taxas de cura, especialmente em estágios iniciais. A cirurgia é o pilar, geralmente uma nefrectomia radical, complementada por quimioterapia pré e/ou pós-operatória. O prognóstico é geralmente bom, mas depende do estágio da doença, da histologia e da resposta ao tratamento. A vigilância pós-tratamento é essencial para detectar recorrências e monitorar possíveis efeitos tardios da terapia.
O sinal mais comum é uma massa abdominal palpável, geralmente assintomática. Hematúria, dor abdominal, febre e hipertensão também podem ocorrer.
O Tumor de Wilms é mais frequentemente diagnosticado em crianças de 2 a 5 anos de idade, com um pico por volta dos 3 anos.
A diferenciação envolve exames de imagem como ultrassonografia e tomografia, que podem caracterizar a massa renal. Neuroblastoma, por exemplo, geralmente surge da glândula adrenal e tem características de imagem distintas.
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