CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 4 anos, é trazido pela mãe ao pronto atendimento após esta observar “sangue na urina”. O paciente não apresenta história de dor, febre ou trauma abdominal recente. Ao exame físico, o paciente se encontra em BEG, normocorado, eupneico e afebril, mas chama a atenção uma P.A.: 140x100mmHg. Seu exame cardiorrespiratório é normal. À palpação abdominal, observa-se massa palpável, de consistência firme, não móvel, de cerca de 15cm, em flanco esquerdo. Hemograma e ionograma sem alteração. O EAS evidencia de 15 hemácias por campo de microscopia. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa INCORRETA:
Criança com massa abdominal + hipertensão + hematúria → suspeitar Tumor de Wilms. AFP não é marcador.
O Tumor de Wilms (nefroblastoma) é o tumor renal mais comum na infância, manifestando-se frequentemente com massa abdominal palpável, hipertensão e hematúria. A investigação é urgente e a alfa-fetoproteína não é um marcador tumoral para esta condição.
O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é o tumor renal maligno mais comum na infância, geralmente diagnosticado entre 2 e 5 anos de idade. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e manejo adequado para um bom prognóstico. A apresentação clássica inclui uma massa abdominal palpável, indolor, que não ultrapassa a linha média, acompanhada de hipertensão arterial e, em alguns casos, hematúria. A fisiopatologia envolve alterações genéticas, como as nos genes WT1 e WT2. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome, que revelam uma massa renal sólida ou mista. É crucial diferenciar de outras massas abdominais pediátricas, como neuroblastoma, que geralmente ultrapassa a linha média e pode ter marcadores como catecolaminas urinárias elevadas. O tratamento do Tumor de Wilms é multimodal, envolvendo cirurgia (nefrectomia), quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, dependendo do estadiamento. A quimioterapia neoadjuvante pode ser utilizada para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia, enquanto a quimioterapia adjuvante é comum após a ressecção. É fundamental não confundir os marcadores tumorais; a alfa-fetoproteína não é um marcador para Tumor de Wilms.
Os sinais mais comuns incluem massa abdominal palpável indolor, hipertensão arterial, hematúria macro ou microscópica e, ocasionalmente, febre ou dor abdominal.
A alfa-fetoproteína é um marcador importante para hepatoblastoma e tumores de células germinativas, mas não é elevada no Tumor de Wilms, sendo um ponto crucial para o diagnóstico diferencial.
A conduta inicial envolve exames de imagem como ultrassonografia e tomografia de abdome para estadiamento, além de biópsia ou nefrectomia, dependendo do protocolo e estadiamento.
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