Tumor de Wilms: Diagnóstico e Sinais em Crianças

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 2 anos e 11 meses de idade é trazida a consulta de puericultura pela mãe. Relata que ela percebeu caroço na barriga (sic) ao dar banho na criança, há 1 semana. Diz também que há cerca de um mês criança tem queixado-se de dores abdominais em cólica, quase que diárias, de curta duração e resolução espontânea. Criança permanece bem, sem queda do estado geral, sem alterações do apetite ou das atividades diárias. Pais negam queixas digestivas ou gênito-urinárias. Não há história de constipação intestinal. Ao exame físico a criança apresentava-se em bom estado geral, afebril, corada, eupneica, com massa palpável no flanco direito, endurecida, fixa, indolor, medindo aproximadamente 8 cm no seu maior eixo.Com base nos achados acima descritos, qual a hipótese diagnóstica mais provável para este caso?

Alternativas

  1. A) Tumor de Wilms.
  2. B) Neuroblastoma.
  3. C) Hepatoblastoma.
  4. D) Linfoma não-Hodgkin.

Pérola Clínica

Criança < 5 anos com massa abdominal palpável, indolor, fixa, sem queda do estado geral → Tumor de Wilms.

Resumo-Chave

O Tumor de Wilms (nefroblastoma) é a neoplasia renal mais comum na infância, tipicamente afetando crianças menores de 5 anos. A apresentação clássica é uma massa abdominal palpável, geralmente indolor, firme e lisa, sem outros sintomas sistêmicos significativos, como febre ou perda de peso, o que o diferencia de outras massas abdominais pediátricas.

Contexto Educacional

O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é a neoplasia renal mais comum na infância, representando um dos tumores sólidos mais frequentes em crianças. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para um tratamento eficaz e um bom prognóstico. A maioria dos casos é esporádica, mas cerca de 10% estão associados a síndromes genéticas como WAGR (tumor de Wilms, aniridia, malformações geniturinárias, retardo mental) e Síndrome de Denys-Drash. A apresentação clínica clássica é uma massa abdominal palpável, geralmente descoberta incidentalmente pelos pais durante o banho ou por um médico em consulta de puericultura. Esta massa é tipicamente indolor, firme, lisa e não costuma cruzar a linha média. Sintomas como dor abdominal, hematúria e hipertensão podem ocorrer, mas são menos comuns. A ausência de queda do estado geral é um achado importante que ajuda a diferenciá-lo de outras condições malignas pediátricas. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que confirmam a origem renal da massa. O tratamento é multimodal, envolvendo nefrectomia radical, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, com altas taxas de cura. O prognóstico é geralmente excelente, especialmente em estágios iniciais, ressaltando a importância da suspeita clínica e do encaminhamento rápido para centros especializados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do Tumor de Wilms?

O sinal mais comum do Tumor de Wilms é a presença de uma massa abdominal palpável, geralmente indolor, firme e lisa, que não ultrapassa a linha média. Outros sintomas podem incluir dor abdominal, hematúria, hipertensão e, menos frequentemente, febre ou perda de peso.

Qual a faixa etária mais comum para o diagnóstico de Tumor de Wilms?

O Tumor de Wilms é mais frequentemente diagnosticado em crianças pequenas, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. É raro em bebês e em crianças maiores ou adolescentes.

Como diferenciar o Tumor de Wilms de outras massas abdominais pediátricas, como o Neuroblastoma?

A diferenciação é crucial. O Tumor de Wilms é tipicamente intrarrenal, liso, firme e geralmente não cruza a linha média. O Neuroblastoma, por outro lado, é extrarrenal (origem na medula adrenal ou gânglios simpáticos), mais irregular, pode cruzar a linha média e frequentemente está associado a sintomas sistêmicos e metástases precoces.

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