INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 22 anos procura atendimento médico na unidade básica de saúde com queixa de sensação de peso em região escrotal há 3 meses. Não se lembra de ter sofrido traumatismo na área afetada e não apresenta queixas urinárias. Nega comorbidades, etilismo e tabagismo. Apresenta-se em bom estado geral, afebril. Ao exame físico, verificam-se: tórax e abdome sem alterações; presença de lesão de consistência endurecida no testículo esquerdo sem aumento à manobra de Valsalva; transiluminação negativa; toque retal sem alterações; ausência de linfadenopatia inguinal e supraclavicular.Diante desse quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
Massa testicular endurecida, indolor, transiluminação negativa, sem Valsalva → Tumor de testículo. Conduta: Orquiectomia.
Em um homem jovem, uma massa testicular endurecida, indolor, que não transilumina e não se altera com a manobra de Valsalva, é altamente sugestiva de tumor de testículo. A conduta inicial e definitiva é a orquiectomia radical inguinal para diagnóstico histopatológico e tratamento.
O tumor de testículo é o câncer mais comum em homens jovens, com pico de incidência entre 15 e 35 anos. A apresentação clínica típica é uma massa testicular endurecida, indolor e não responsiva a antibióticos, o que o diferencia de orquiepididimites. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, que possui altas taxas de cura. No exame físico, a palpação de uma lesão endurecida no testículo, a transiluminação negativa (indicando massa sólida) e a ausência de alteração com a manobra de Valsalva (afastando hérnia) são achados altamente sugestivos. Marcadores tumorais séricos (alfafetoproteína, beta-hCG e DHL) e ultrassonografia escrotal são exames complementares importantes para confirmar a suspeita e estadiar a doença. A conduta definitiva para a suspeita de tumor de testículo é a orquiectomia radical inguinal. Este procedimento não só remove o tumor, mas também permite o estadiamento patológico e a identificação do tipo histológico, que guiará a terapia adjuvante (quimioterapia ou radioterapia) se necessária. É crucial que a abordagem seja feita por via inguinal para evitar a disseminação de células tumorais para o escroto.
Os principais sinais de alerta incluem a presença de uma massa ou nódulo endurecido e indolor no testículo, sensação de peso escrotal, aumento ou alteração do tamanho do testículo. Dor testicular é menos comum, mas pode ocorrer. É fundamental o autoexame testicular regular.
A transiluminação negativa (a luz não atravessa a massa) sugere uma lesão sólida, como um tumor, enquanto a transiluminação positiva (a luz atravessa) indica uma lesão cística, como hidrocele. A manobra de Valsalva, que aumenta a pressão intra-abdominal, pode evidenciar hérnias inguinais, que se tornam mais proeminentes ou redutíveis, o que não ocorre com tumores testiculares.
Diante da suspeita de tumor de testículo, a conduta inicial é a orquiectomia radical inguinal. Este procedimento permite a remoção completa do testículo afetado para análise histopatológica, que confirmará o diagnóstico e o tipo histológico do tumor, além de ser o tratamento primário.
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