Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Homem, 28 anos de idade, refere ter notado aumento do testículo esquerdo após jogo de futebol. Nega febre e sem alterações para urinar. Apresenta vida sexual ativa com parceira fixa. Tem desejo de ter filhos ainda. Ao exame clínico: Bom estado geral. Tórax sem alterações. Abdome: indolor, sem massas. Ausência de hérnia inguinal e sem linfonodomegalia. Escroto: Testículo esquerdo com nódulo de 2,5cm. Testículo direito sem alterações. Submetido a ultrassonografia do escroto que evidenciou: nódulo hipoecoico de 2,5 cm no testículo esquerdo, não homogêneo, com áreas císticas, mal definidas e calcificações. Exames laboratoriais: bHCG: aumentado; alfa feto proteína: aumentado; DHL normal. Realizada tomografia de abdome, pelve e tórax, sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Nódulo testicular + bHCG/AFP ↑ em jovem → alta suspeita de tumor testicular; conduta = orquiectomia radical por inguinotomia.
Em homens jovens com nódulo testicular e marcadores tumorais elevados (bHCG e/ou AFP), a suspeita de tumor de testículo é muito alta, mesmo com DHL normal. A conduta padrão e mais adequada é a orquiectomia radical por via inguinal, que permite a ressecção completa do tumor e a avaliação histopatológica, minimizando o risco de disseminação local.
O tumor de testículo é a neoplasia sólida mais comum em homens jovens, geralmente entre 15 e 35 anos. A apresentação clássica é um nódulo ou aumento indolor do testículo, embora alguns pacientes possam relatar dor ou desconforto. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco como criptorquidia prévia. A avaliação diagnóstica de um nódulo testicular inclui exame físico, ultrassonografia escrotal e dosagem de marcadores tumorais séricos: beta-HCG (bHCG), alfa-fetoproteína (AFP) e desidrogenase láctica (DHL). Níveis elevados de bHCG e/ou AFP, como no caso apresentado, são altamente sugestivos de um tumor de células germinativas. A tomografia de abdome, pelve e tórax é realizada para estadiamento e busca de metástases. Diante de uma forte suspeita de tumor testicular, a conduta mais adequada é a orquiectomia radical por via inguinal. Esta abordagem permite a remoção completa do testículo e do cordão espermático, minimizando o risco de disseminação tumoral para o escroto e os linfonodos inguinais, o que poderia comprometer o estadiamento e o prognóstico. Biópsias por agulha ou excisionais via escrotal são contraindicadas devido a esse risco.
Os principais marcadores são beta-HCG (bHCG), alfa-fetoproteína (AFP) e desidrogenase láctica (DHL). Níveis elevados de bHCG e/ou AFP são altamente sugestivos de tumor de células germinativas.
A orquiectomia radical por via inguinal permite a remoção completa do testículo e do cordão espermático, evitando a contaminação escrotal e a disseminação de células tumorais para os linfonodos inguinais, o que é crucial para o estadiamento e prognóstico.
Não, biópsias por agulha ou excisionais via escrotal são contraindicadas em casos de forte suspeita de tumor testicular devido ao risco de disseminação tumoral local e alteração do estadiamento. A orquiectomia inguinal é diagnóstica e terapêutica.
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