USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem, 28 anos de idade, procura atendimento médico com queixa de dor e aumento do volume do testículo direito, há dois meses. Nega trauma local. Ao exame físico apresenta testículo direito aumentado cerca de 5 vezes o normal, endurecido e doloroso. Não há hiperemia da pele escrotal e o epidídimo direito está normal. Realizou ultrassonografia que mostrou o testículo direito com 13 cm no maior diâmetro, com componente sólido e heterogêneo, e áreas de necrose e hemorragia. O testículo esquerdo está normal. Indicada realização de tomografia de tórax e abdome. Qual é a conduta neste momento?
Suspeita de tumor testicular → coletar AFP, beta-HCG, DHL e realizar orquiectomia radical por via inguinal, sem biópsia prévia.
Em homens jovens com massa testicular sólida e endurecida, a suspeita de tumor de testículo é alta. A conduta inicial envolve a dosagem dos marcadores tumorais específicos (AFP, beta-HCG, DHL) e a orquiectomia radical por via inguinal, que é diagnóstica e terapêutica, evitando a biópsia que pode disseminar células tumorais.
O tumor de testículo é o câncer mais comum em homens jovens (15 a 35 anos), e seu diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais para um bom prognóstico. A apresentação clínica típica inclui uma massa testicular indolor, endurecida e de crescimento progressivo, embora dor possa ocorrer em casos de hemorragia ou necrose intratumoral. A ultrassonografia testicular é o exame de imagem de escolha para confirmar a natureza sólida da massa e avaliar o testículo contralateral. Uma vez estabelecida a suspeita clínica e radiológica, a dosagem dos marcadores tumorais séricos (AFP, beta-HCG, DHL) é imperativa antes de qualquer intervenção cirúrgica. Esses marcadores auxiliam na diferenciação dos tipos histológicos (seminomas vs. não seminomas) e são fundamentais para o estadiamento e monitoramento. A biópsia incisional ou por agulha é estritamente contraindicada devido ao risco de disseminação tumoral e comprometimento do estadiamento. A conduta definitiva para o diagnóstico e tratamento inicial é a orquiectomia radical por via inguinal. Este procedimento permite a remoção completa do testículo afetado e do cordão espermático, que é ligado em nível alto para evitar a disseminação. Após a cirurgia, o material é enviado para análise histopatológica, que confirmará o diagnóstico e guiará o estadiamento e o tratamento adjuvante, se necessário.
Os principais marcadores são a alfa-fetoproteína (AFP), a gonadotrofina coriônica humana beta (beta-HCG) e a desidrogenase láctica (DHL). Eles são importantes para o diagnóstico, estadiamento, monitoramento da resposta ao tratamento e detecção de recidivas, sendo essenciais na avaliação inicial e seguimento.
A biópsia por agulha grossa é contraindicada devido ao risco de disseminação de células tumorais para o escroto e para a cadeia linfática inguinal, que não é a via de drenagem primária do testículo. Isso pode alterar o estadiamento da doença e exigir uma linfadenectomia inguinal, um procedimento mais extenso.
A via cirúrgica preferencial é a orquiectomia radical por inguinotomia. Essa abordagem permite o clampeamento precoce do cordão espermático antes da manipulação do testículo, minimizando o risco de disseminação tumoral e garantindo a remoção completa do tumor e de seus vasos linfáticos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo