UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Leia o caso a seguir e responda à questão.Um Paciente de 62 anos, do sexo masculino, procura o hospital referindo emagrecimento de 10 quilos nos últimos 4 meses, e que há 3 semanas notou aparecimento de coloração amarelada nos olhos e pele, prurido, as fezes estão esbranquiçadas e a urina escurecida, também relata dor na região epigástrica no mesmo período. Nega etilismo, refere estado vacinal em dia. Achados no exame físico: emagrecido, ictérico +++/4, descorado +/4, vesícula biliar palpável e indolor em hipocôndrio direito, sem outras alterações significativas. Exames laboratoriais: hemoglobina 9,4 g/dl, amilase 87 U/l, aspartato amino-transferase (TGO/AST) 56 U/l , alanina aminotransferase (TGP/ALT) 76 U/l, bilirrubinas total 16,5 mg/dl(direta= 14,2 e indireta 2,3) , fosfatase alcalina 382 U/l, gama GT 288 U/l, creatinina 0,9 mg/dl, glicemia 102 mg/dl, INR 1,2. Ultrassom de abdome total: vesícula biliar distendida, paredes finas, ausência de cálculos. Vias biliares dilatadas intra e extra-hepáticas, não identificado fator obstrutivo. Demais sem alterações identificáveis ao método.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o exame que representa a melhor conduta diagnóstica para este paciente.
Icterícia obstrutiva + Vesícula de Courvoisier → Neoplasia periampular (RM/CPRM é padrão-ouro).
O quadro de icterícia colestática indolor com vesícula palpável sugere fortemente obstrução maligna distal. A RM com colangiorressonância oferece melhor detalhamento anatômico não invasivo.
O diagnóstico diferencial de icterícia obstrutiva em pacientes idosos com perda ponderal deve priorizar neoplasias periampulares. O sinal de Courvoisier-Terrier é um achado clássico que direciona para obstrução maligna distal ao ducto cístico. A propedêutica armada inicia-se geralmente com ultrassonografia, mas a colangiorressonância ou a TC de abdome com protocolo para pâncreas são fundamentais para o estadiamento e planejamento cirúrgico.
O sinal de Courvoisier-Terrier é a palpação de uma vesícula biliar distendida e indolor em um paciente com icterícia obstrutiva. Clinicamente, isso sugere que a obstrução do ducto biliar comum é causada por uma neoplasia (como tumor de cabeça de pâncreas ou ampola de Vater) e não por cálculos biliares, pois na colelitíase crônica a vesícula tende a ser fibrótica e incapaz de distender significativamente.
A RM com colangiorressonância (CPRM) é um método não invasivo com alta sensibilidade para detectar o nível e a causa da obstrução biliar. Diferente da CPRE, que é um procedimento invasivo com riscos de pancreatite pós-procedimento, a CPRM é puramente diagnóstica. A CPRE deve ser reservada para casos onde a intervenção terapêutica (como drenagem ou stent) é necessária simultaneamente.
Os principais marcadores são a Bilirrubina Direta (conjugada), a Fosfatase Alcalina (FA) e a Gama-Glutamiltransferase (GGT). Em quadros obstrutivos, observa-se uma elevação desproporcional da FA e GGT em relação às transaminases (AST/ALT), configurando o padrão canalicular ou colestático, frequentemente acompanhado de hiperbilirrubinemia direta.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo