USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Homem, 68 anos, refere tosse persistente há 3 meses, com piora progressiva. Refere perda de peso não intencional de 5kg neste período. Há 2 meses apresenta dor contínua, de intensidade 6/10, localizada no ombro direito, irradiando para o braço ipsilateral. Na última semana, iniciou com sudorese vespertina, principalmente na face à esquerda. É tabagista (carga tabágica de 60 anos/maço). Exame físico: redução da expansibilidade pulmonar e de murmúrio vesicular no terço superior do pulmão direito. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável para este quadro clínico?
Tumor de Pancoast = Dor ombro/braço + Síndrome de Horner + Sintomas pulmonares/sistêmicos em tabagista.
A combinação de dor no ombro irradiando para o braço (invasão do plexo braquial), sintomas sistêmicos (perda de peso, sudorese noturna) e sinais de Síndrome de Horner (sudorese facial unilateral) em um tabagista com massa apical pulmonar é altamente sugestiva de Tumor de Pancoast.
O Tumor de Pancoast, também conhecido como tumor do sulco superior, é um tipo de câncer de pulmão de células não pequenas que se desenvolve no ápice pulmonar. Sua importância clínica reside na localização anatômica, que permite a invasão de estruturas adjacentes como o plexo braquial, gânglio estrelado e costelas, levando a uma síndrome clínica característica. A epidemiologia está fortemente ligada ao tabagismo, sendo mais comum em homens idosos com histórico de tabagismo pesado. O diagnóstico precoce é desafiador devido à apresentação inicial atípica, muitas vezes confundida com condições musculoesqueléticas. A fisiopatologia envolve o crescimento do tumor no ápice pulmonar, comprimindo ou invadindo nervos e vasos. A dor no ombro e braço, irradiando para a face ulnar do antebraço e mão, é o sintoma mais comum e resulta da invasão do plexo braquial (C8-T1). A Síndrome de Horner (ptose, miose e anidrose ipsilateral) ocorre pela invasão da cadeia simpática cervical. Outros sintomas incluem tosse persistente, perda de peso e fadiga, comuns a outros cânceres de pulmão. A suspeita deve ser alta em pacientes tabagistas com dor persistente no ombro e sintomas neurológicos ou sistêmicos. O tratamento do Tumor de Pancoast é complexo e frequentemente envolve uma abordagem multimodal, incluindo quimioterapia, radioterapia e cirurgia. O prognóstico depende do estágio da doença e da extensão da invasão no momento do diagnóstico. Pontos de atenção para residentes incluem a necessidade de uma história clínica detalhada, incluindo histórico de tabagismo, e um exame físico minucioso para identificar sinais neurológicos sutis. A imagem (radiografia de tórax, TC e RM) é fundamental para confirmar o diagnóstico e estadiar a doença, sendo a RM particularmente útil para avaliar a extensão da invasão do plexo braquial e da parede torácica.
Os principais sintomas incluem dor intensa e persistente no ombro e braço (devido à invasão do plexo braquial), Síndrome de Horner (ptose, miose, anidrose facial), e sintomas gerais de câncer como tosse, perda de peso e sudorese noturna.
A Síndrome de Horner é causada pela compressão do gânglio estrelado ou da cadeia simpática cervical. Manifesta-se por ptose palpebral, miose (pupila contraída) e anidrose (ausência de suor) na face ipsilateral ao tumor. No caso, a sudorese vespertina na face esquerda pode ser uma manifestação atípica ou inicial de disfunção simpática.
O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão, incluindo o Tumor de Pancoast, que é um tipo de câncer de pulmão de células não pequenas localizado no ápice pulmonar. A carga tabágica elevada aumenta significativamente o risco.
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