MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 48 anos, previamente hígido, realizou uma ressonância magnética (RM) de abdome para investigação de dor lombar inespecífica. O exame revelou, de forma incidental, uma lesão sólida e bem delimitada na cauda do pâncreas, medindo 2,5 cm em seu maior diâmetro, com realce intenso após a administração de contraste (conforme indicado pela seta na imagem abaixo). O paciente nega episódios de sudorese, palpitações, hipoglicemia, diarreia ou perda de peso. Os exames laboratoriais, incluindo marcadores tumorais e glicemia de jejum, estão dentro da normalidade. Diante do achado radiológico e da ausência de sintomas de hipersecreção hormonal, a conduta mais adequada é:
pNET não funcionante > 2cm ou com crescimento → Ressecção cirúrgica pelo risco de malignidade.
Lesões sólidas pancreáticas com realce intenso (hipervasculares) sugerem tumores neuroendócrinos. Se > 2cm, a cirurgia é indicada mesmo em pacientes assintomáticos.
Os tumores neuroendócrinos pancreáticos (pNETs) representam uma classe heterogênea de neoplasias. O aumento do uso de exames de imagem de alta resolução elevou a detecção de pNETs incidentais e não funcionantes. A decisão terapêutica é guiada pelo balanço entre o risco cirúrgico e o potencial de malignidade, que é diretamente proporcional ao tamanho da lesão. Lesões na cauda do pâncreas, como no caso descrito, são tratadas com pancreatectomia distal, visando a cura oncológica e a prevenção de disseminação metastática.
As indicações cirúrgicas para tumores neuroendócrinos pancreáticos (pNETs) não funcionantes baseiam-se principalmente no tamanho da lesão, na presença de sintomas compressivos e em características radiológicas de agressividade. Lesões maiores que 2 cm têm indicação formal de ressecção devido ao risco aumentado de comportamento maligno e metástases linfonodais. Para lesões entre 1 e 2 cm, a conduta é individualizada, considerando a localização e o estado clínico do paciente. Lesões menores que 1 cm, descobertas incidentalmente, podem ser acompanhadas com exames de imagem seriados, desde que não apresentem sinais de invasão ou crescimento documentado. A cirurgia padrão para lesões em corpo e cauda é a pancreatectomia distal, com ou sem esplenectomia.
A principal diferenciação radiológica entre o tumor neuroendócrino pancreático (pNET) e o adenocarcinoma ductal reside no padrão de vascularização após o contraste. O pNET é tipicamente uma lesão hipervascular, apresentando um realce intenso e precoce na fase arterial da tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Em contraste, o adenocarcinoma ductal pancreático é classicamente hipovascular, apresentando-se como uma massa hipodensa ou com realce tardio em relação ao parênquima pancreático normal. Além disso, os pNETs costumam ser bem delimitados, enquanto o adenocarcinoma tende a ser infiltrativo, frequentemente causando dilatação do ducto pancreático principal (sinal do duplo ducto se na cabeça) e atrofia parenquimatosa distal.
Um tumor neuroendócrino pancreático é classificado como não funcionante quando não está associado a uma síndrome clínica decorrente da hipersecreção hormonal sistêmica, como a síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma), hipoglicemia (insulinoma) ou dermatite necrolítica migratória (glucagonoma). Embora esses tumores possam produzir peptídeos e hormônios (como cromogranina A ou PP), eles não os secretam em quantidades suficientes ou em formas biologicamente ativas para causar sintomas clínicos. Aproximadamente 60% a 90% dos pNETs são não funcionantes e, por essa razão, costumam ser diagnosticados tardiamente ou de forma incidental em exames de imagem realizados por outros motivos, como dor abdominal inespecífica.
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