PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Homem de 50 anos, saudável, chega ao pronto-socorro com náuseas, vômitos e dor abdominal. Ele tem um histórico de um mês de dor abdominal crônica intermitente. Não tem histórico prévio de cirurgias abdominais e fez uma colonoscopia normal no início deste ano. Seus sinais vitais estão dentro dos limites normais. No exame, seu abdome está flácido e sem distensão, com leve sensibilidade abdominal difusa. Não há hérnias presentes. Seus exames laboratoriais não apresentam nada de especial. Ele passa por uma tomografia computadorizada abdominal que demonstra uma área de intussuscepção, no intestino delgado distal, com espessamento e calcificação do mesentério adjacente.\n\nApós concluir seu diagnóstico, você leva o paciente para a sala de cirurgia para uma laparoscopia diagnóstica. Você identifica uma massa sólida de 4cm no íleo médio. O mesentério adjacente parece espessado e encurtado. Não há evidências de doença metastática. Você realiza uma ressecção com anastomose primária. Na sala de recuperação, o paciente apresenta rubor profundo, estado mental alterado e hipotensão refratária à reanimação com fluidos. Qual é o próximo passo no tratamento?
Crise carcinoide pós-op → Octreotida IV (evite vasopressores adrenérgicos que podem piorar a crise).
A manipulação cirúrgica de tumores carcinoides pode liberar mediadores vasoativos (serotonina, bradicinina), causando instabilidade hemodinâmica grave e flushing.
O tumor carcinoide é o tumor neuroendócrino mais comum do intestino delgado, frequentemente localizado no íleo distal. No adulto, a intussuscepção é frequentemente causada por um ponto de apoio neoplásico, exigindo ressecção. A calcificação mesentérica e a reação desmoplásica são achados tomográficos clássicos.\n\nA fisiopatologia da síndrome carcinoide envolve a secreção de serotonina na circulação sistêmica, o que geralmente ocorre apenas quando há metástases hepáticas (que contornam o metabolismo de primeira passagem) ou quando o tumor drena diretamente para a circulação sistêmica. Contudo, a manipulação cirúrgica pode precipitar uma crise mesmo em doenças localizadas.
A crise carcinoide é uma complicação potencialmente fatal caracterizada por instabilidade hemodinâmica (geralmente hipotensão, mas pode haver hipertensão), arritmias, flushing cutâneo intenso e broncoespasmo. Ela ocorre devido à liberação maciça de mediadores vasoativos, como serotonina e calicreína, frequentemente desencadeada por estresse, anestesia ou manipulação cirúrgica do tumor neuroendócrino.
A octreotida é um análogo da somatostatina de ação prolongada que inibe a secreção de diversos hormônios e mediadores neuroendócrinos. Na crise carcinoide, ela atua diretamente nos receptores de somatostatina do tumor para interromper a liberação de serotonina e outros peptídeos vasoativos, estabilizando o paciente de forma mais eficaz que medidas de suporte adrenérgico.
O uso de catecolaminas (como noradrenalina) pode estimular ainda mais a liberação de mediadores pelo tumor através de receptores adrenérgicos, criando um ciclo vicioso que piora a vasodilatação e a hipotensão. Se necessário suporte pressórico, deve-se priorizar a octreotida e expansão volêmica cautelosa.
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