Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Homem de 52 anos, previamente hígido, apresenta episódios recorrentes de diarreia aquosa e rubor facial súbito. Tomografia de abdome com contraste evidencia nódulo sólido no mesentério, próximo à região da artéria mesentérica superior, com captação na fase arterial. Colonoscopia sem alterações significativas. Endoscopia digestiva alta normal. Quais são, respectivamente, a origem embriológica e a localização mais prováveis do tumor primário responsável pelo quadro descrito?
Diarreia + Rubor facial + Nódulo mesentérico = Tumor Carcinoide (origem epitelial/intestino delgado).
A síndrome carcinoide ocorre quando substâncias vasoativas (serotonina) atingem a circulação sistêmica, geralmente por metástases hepáticas ou tumores extra-portais de origem epitelial.
A síndrome carcinoide é uma manifestação paraneoplásica de tumores neuroendócrinos bem diferenciados. A localização no mesentério sugere disseminação linfonodal de um primário no íleo terminal. Embriologicamente, o intestino delgado deriva do 'midgut'. Histologicamente, esses tumores são epiteliais, apesar de suas propriedades neuroendócrinas. O reconhecimento precoce é vital, pois a ressecção cirúrgica e o uso de análogos da somatostatina (octreotide) podem controlar os sintomas e melhorar o prognóstico.
A síndrome carcinoide clássica apresenta-se com rubor facial (flushing) súbito, diarreia aquosa e, menos frequentemente, broncoespasmo ou lesões valvares cardíacas direitas. Esses sintomas são causados pela liberação de serotonina, bradicinina e histamina pelo tumor na circulação sistêmica, contornando o metabolismo de primeira passagem hepático.
Os tumores neuroendócrinos (carcinoides) originam-se de células enterocromafins. O intestino delgado (derivado do midgut embriológico) é um dos locais mais comuns para esses tumores. Quando localizados no mesentério ou com metástases hepáticas, os mediadores químicos não são inativados pelo fígado, resultando nos sintomas sistêmicos característicos.
O diagnóstico inicial baseia-se na dosagem de 5-HIAA (ácido 5-hidroxi-indolacético) na urina de 24 horas, que é o principal metabólito da serotonina. Marcadores séricos como a Cromogranina A também são úteis para monitoramento e diagnóstico de tumores neuroendócrinos, independentemente da produção hormonal.
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