Tumor Neuroendócrino Apendicular: Conduta e Prognóstico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 17 anos, com história de dor abdominal há 4 dias, de início periumbilical, posteriormente irradiando-se para fossa ilíaca direita. Após exame físico, foi indicada apendicectomia, realizada sem intercorrências. O resultado do exame anatomopatológico do apêndice detectou tumor neuroendócrino NET II de 0,9 cm na base do apêndice, sem comprometimento linfático.A conduta mais adequada a ser tomada para a paciente é;

Alternativas

  1. A) indicar colectomia direita ampliada e radioterapia.
  2. B) indicar colonoscopia e ressonância abdominal.
  3. C) indicar colectomia total e quimioterapia.
  4. D) dar alta ambulatorial, pois a paciente está devidamente tratada.

Pérola Clínica

NET apendicular < 1 cm, sem invasão mesentérica/linfática → apendicectomia é curativa.

Resumo-Chave

Tumores neuroendócrinos (NET) do apêndice com tamanho inferior a 1-2 cm, sem invasão do mesoapêndice ou linfonodos, são geralmente curados pela apendicectomia simples. Nesses casos, não há necessidade de ressecção adicional ou tratamento adjuvante, e a paciente pode receber alta com acompanhamento.

Contexto Educacional

Os tumores neuroendócrinos (NET) do apêndice, também conhecidos como tumores carcinoides, são as neoplasias apendiculares mais comuns, embora ainda raras. Geralmente são descobertos incidentalmente durante apendicectomias realizadas por suspeita de apendicite aguda. É crucial para residentes entenderem a história natural e os fatores prognósticos desses tumores para determinar a conduta mais adequada, evitando tratamentos excessivos ou insuficientes. A fisiopatologia dos NET apendiculares envolve a proliferação de células neuroendócrinas, que podem secretar substâncias vasoativas, embora a síndrome carcinoide seja rara em tumores apendiculares devido à metabolização hepática. O prognóstico está fortemente relacionado ao tamanho do tumor, grau de diferenciação (mitoses e índice Ki-67), invasão do mesoapêndice, margens cirúrgicas e presença de metástases. Tumores menores que 1-2 cm, bem diferenciados (G1), sem invasão do mesoapêndice ou linfonodos, têm excelente prognóstico. A conduta para NET apendicular depende desses fatores. Para tumores < 1-2 cm, localizados na ponta do apêndice, bem diferenciados e sem invasão linfovascular ou do mesoapêndice, a apendicectomia simples é curativa e suficiente. Não há necessidade de colectomia direita ampliada ou terapia adjuvante. O acompanhamento pode ser feito com vigilância clínica. Tumores maiores, com invasão ou alto grau, exigem ressecção mais ampla (colectomia direita) e avaliação para terapia sistêmica.

Perguntas Frequentes

Quais fatores determinam a conduta em tumores neuroendócrinos do apêndice?

Os fatores chave são o tamanho do tumor (<1-2 cm vs >2 cm), invasão do mesoapêndice, margens cirúrgicas, grau de diferenciação (G1, G2, G3) e presença de metástases linfonodais ou à distância.

Por que a apendicectomia é suficiente para tumores neuroendócrinos apendiculares pequenos?

Para tumores neuroendócrinos bem diferenciados, menores que 1-2 cm, sem invasão do mesoapêndice ou linfonodos, a apendicectomia simples é considerada curativa devido ao baixo risco de metástase e recorrência.

Quando uma colectomia direita ampliada seria indicada para um NET apendicular?

A colectomia direita ampliada é indicada para tumores > 2 cm, com invasão do mesoapêndice, margens cirúrgicas positivas, invasão linfovascular, alto grau de diferenciação (G2/G3) ou metástases linfonodais.

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