UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Mulher de 25 anos realizou TC de abdômen e de pelve para acompanhamento de litíase ureteral esquerda. No exame, não foram identificados cálculos urinários, mas foi encontrada tumoração sólida em apêndice vermiforme, com aproximadamente 25mm e que apresentava realce pelo contraste venoso. O laudo foi compatível com tumor neuroendócrino apendicular. A conduta mais adequada, nesse caso, é realizar:
NET apendicular > 2cm ou invasão de mesoapêndice/base → Hemicolectomia direita.
Tumores neuroendócrinos (NET) do apêndice são frequentemente achados incidentais. A decisão entre apendicectomia simples e hemicolectomia direita depende do tamanho (>2cm) e fatores de risco histológicos.
O tumor neuroendócrino é a neoplasia mais comum do apêndice. A maioria é pequena, benigna e diagnosticada após apendicectomia por apendicite. No entanto, o potencial metastático aumenta significativamente com o tamanho da lesão. Lesões maiores que 2 cm têm um risco de metástases linfonodais superior a 20%, justificando a abordagem radical com hemicolectomia direita para garantir o esvaziamento linfonodal adequado. Clinicamente, a maioria é assintomática até que causem obstrução luminal ou sejam descobertos em exames de imagem. A síndrome carcinoide é extremamente rara em tumores de apêndice, a menos que existam metástases hepáticas volumosas. O prognóstico para tumores localizados após tratamento cirúrgico adequado é excelente, com sobrevida em 5 anos próxima a 95%.
A hemicolectomia direita está indicada quando o tumor neuroendócrino (NET) apresenta diâmetro maior que 2 cm. Além do tamanho, outros critérios de risco que favorecem a ampliação cirúrgica, mesmo em tumores entre 1 e 2 cm, incluem: invasão do mesoapêndice (especialmente se > 3mm), localização na base do apêndice (comprometendo a margem), alto grau histológico (G2 ou G3/Ki-67 elevado) ou invasão angiolinfática. Para tumores menores que 1 cm localizados no corpo ou ponta, a apendicectomia simples costuma ser curativa e suficiente.
Na grande maioria dos casos, o diagnóstico é incidental após uma apendicectomia realizada por suspeita de apendicite aguda ou, como no caso clínico, um achado de imagem em exames de rotina ou investigação de outras patologias. A tomografia computadorizada com contraste pode identificar massas sólidas com realce, mas a confirmação definitiva é histopatológica, complementada por imuno-histoquímica (marcadores como cromogranina A e sinaptofisina) para determinar o grau de diferenciação e o índice proliferativo Ki-67.
O seguimento depende da radicalidade e do risco de recorrência. Pacientes submetidos a apendicectomia por tumores < 1cm geralmente não necessitam de seguimento intensivo. Já pacientes com tumores > 2cm ou submetidos a hemicolectomia devem ser monitorados com marcadores séricos (Cromogranina A) e exames de imagem (TC de abdome e pelve ou RM) periodicamente. O uso de Octreoscan ou PET-CT com Gálio-68 pode ser indicado em casos de suspeita de doença residual ou metastática, dada a afinidade desses tumores pelos receptores de somatostatina.
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