Classificação de Bismuth-Corlette no Tumor de Klatskin Hilar

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 72 anos queixa-se de desconforto em andar superior do abdome e emagrecimento de 14 Kg em 3 meses, além de icterícia, colúria e acolia fecal há 1 semana. Exames laboratoriais: TGO: 162 U/L; TGP: 89 U/L; GGT: 2535 U/L; FA: 1344 U; BT: 16,1 mg/dL; BD: 12,4 mg/dL. Colangiorressonância: dilatação de vias biliares intra-hepáticas, imagem de subtração ao nível do ducto hepático comum proximal e ducto hepático esquerdo, sugestiva de tumor de Klatskin. A classificação dessa lesão é:

Alternativas

  1. A) II.
  2. B) IIIa.
  3. C) IIIb.
  4. D) IV. Atenção: Leia o enunciado a seguir para responder às questões de números 66 e 67. Homem de 55 anos, há 6 meses com queixa de hematoquezia, tenesmo e alteração do hábito intestinal. Toque retal: lesão endurecida a 7 cm da borda anal, não sendo possível avaliação da extensão e do acometimento circunferencial. Colonoscopia: lesão obstrutiva em reto médio a 8 cm da borda anal, não sendo possível a progressão do aparelho. Anatomopatológico: adenocarcinoma bem diferenciado. CEA, TC de tórax e TC de abdome: sem alterações. RNM de pelve: lesão em reto médio (T3a) a 7 cm do anel anorretal, sem comprometimento da fáscia mesorretal, 2 linfonodos perirretais acometidos, ausência de invasão vascular extramural, ausência de linfonodos pélvicos laterais.

Pérola Clínica

Klatskin IIIb = Acometimento da confluência biliar + Ducto hepático esquerdo.

Resumo-Chave

A classificação de Bismuth-Corlette define a extensão do colangiocarcinoma hilar, sendo essencial para o planejamento cirúrgico e avaliação da ressecabilidade da lesão.

Contexto Educacional

O tumor de Klatskin, ou colangiocarcinoma hilar, origina-se no epitélio dos ductos biliares na confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo. É uma neoplasia de difícil diagnóstico precoce e prognóstico reservado. A fisiopatologia baseia-se na obstrução biliar progressiva, levando à colestase extra-hepática e potencial cirrose biliar secundária se não tratada. A classificação de Bismuth-Corlette é fundamental para o cirurgião, pois tumores tipo I e II podem ser tratados com ressecção da via biliar e linfadenectomia, enquanto tipos III exigem hepatectomias regradas. O tipo IV muitas vezes é considerado irressecável, exigindo paliação com stents biliares. O manejo exige equipe multidisciplinar envolvendo cirurgia hepatobiliar, radiologia intervencionista e oncologia.

Perguntas Frequentes

Como funciona a classificação de Bismuth-Corlette?

A classificação de Bismuth-Corlette é o sistema mais utilizado para descrever a extensão anatômica dos tumores de Klatskin (colangiocarcinomas hilares). O Tipo I envolve o ducto hepático comum, abaixo da confluência. O Tipo II envolve a confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo. O Tipo III é subdividido em IIIa, que acomete a confluência e o ducto hepático direito, e IIIb, que acomete a confluência e o ducto hepático esquerdo. O Tipo IV é o mais extenso, envolvendo a confluência e ambos os ductos hepáticos (direito e esquerdo) ou sendo multicêntrico. Essa classificação é vital para determinar a estratégia cirúrgica, como a necessidade de hepatectomia direita ou esquerda associada à ressecção da via biliar.

Quais os principais sinais clínicos do Tumor de Klatskin?

O tumor de Klatskin manifesta-se tipicamente como uma síndrome colestática obstrutiva. O sinal cardinal é a icterícia indolor e progressiva, frequentemente acompanhada de colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras). Outros sintomas comuns incluem prurido intenso devido ao depósito de sais biliares na pele, perda de peso significativa, anorexia e desconforto abdominal vago no quadrante superior direito. Laboratorialmente, observa-se um padrão de colestase com elevação acentuada de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama-GT. A ausência de dor biliar aguda ajuda a diferenciar de colelitíase, aproximando o diagnóstico de neoplasias periampulares ou hilares.

Qual o papel da colangiorressonância no diagnóstico?

A colangiorressonância (CPRM) é considerada o exame de imagem de escolha para a avaliação do tumor de Klatskin. Ela permite uma visualização detalhada da árvore biliar de forma não invasiva, identificando o nível exato da obstrução e a extensão do tumor para os ductos hepáticos secundários (essencial para a classificação de Bismuth-Corlette). Além disso, a RM associada à angiorressonância fornece informações cruciais sobre a invasão de estruturas vasculares adjacentes, como a artéria hepática e a veia porta, e a presença de metástases hepáticas ou linfonodais, o que define a ressecabilidade cirúrgica do tumor.

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