HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Paciente de 68 anos, sexo feminino, apresenta quadro de icterícia progressiva, colúria e acolia, nos últimos 2 meses. Refere perda de peso de, aproximadamente, 5 kg no período. Ao exame físico, apresenta-se ictérica e, à palpação abdominal, revela abdome flácido, plano, sem sinais de peritonite. Os exames laboratoriais mostram bilirrubina direta de 12 g/dL, fosfatase alcalina de 1200 e gama-glutamil transferase de 2100. Realizou ultrassom de abdome, que revelou: acentuada dilatação de vias biliares intra-hepáticas; vesícula biliar murcha, sem cálculos e colédoco com diâmetro normal.Com base nos achados clínicos e radiológicos, qual é o diagnóstico mais provável?
Icterícia obstrutiva + dilatação intra-hepática + colédoco normal + vesícula murcha → Tumor de Klatskin.
O Tumor de Klatskin, um colangiocarcinoma hilar, tipicamente causa obstrução biliar alta. A dilatação das vias biliares é predominantemente intra-hepática, enquanto o colédoco distal e a vesícula biliar podem estar normais ou murchos, diferenciando-o de obstruções distais.
O Tumor de Klatskin, ou colangiocarcinoma hilar, é um tipo raro e agressivo de câncer que se origina nos ductos biliares na confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo. Sua importância clínica reside na dificuldade diagnóstica precoce e na complexidade do tratamento, sendo um desafio para cirurgiões e oncologistas. A compreensão de seus achados característicos é fundamental para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve a obstrução progressiva do fluxo biliar, levando à icterícia, colúria e acolia. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que mostram dilatação das vias biliares intra-hepáticas com um colédoco distal normal ou não dilatado e uma vesícula biliar murcha. A perda de peso e a elevação de marcadores tumorais como CA 19-9 também são indicativos. O tratamento é predominantemente cirúrgico, com ressecção radical sendo a única chance de cura, embora muitos pacientes apresentem doença avançada ao diagnóstico. A drenagem biliar, seja endoscópica ou percutânea, pode ser necessária para aliviar a icterícia e melhorar a condição clínica do paciente antes de uma possível cirurgia ou como medida paliativa.
Pacientes com Tumor de Klatskin geralmente apresentam icterícia progressiva, colúria, acolia e perda de peso. Laboratorialmente, há elevação acentuada de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama-glutamil transferase.
A ultrassonografia revela dilatação acentuada das vias biliares intra-hepáticas com colédoco de diâmetro normal e vesícula biliar murcha, indicando uma obstrução alta na confluência dos ductos hepáticos, característica do Tumor de Klatskin.
A vesícula biliar murcha, sem cálculos, em um contexto de icterícia obstrutiva e dilatação intra-hepática, é um achado crucial. Ela sugere que a obstrução não está abaixo da inserção do ducto cístico, afastando causas como tumores de cabeça de pâncreas ou coledocolitíase distal.
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